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quarta-feira, 20 de maio de 2015




                  Embriagado

Ergo a taça sem fim da embriaguez,
Faço um brinde feliz que me fascina,
E, degluto a grandeza cristalina,
Sem ter medo da louca insensatez.

Sempre trôpego, perco a lucidez,
O torpor do controle me domina,
Sinto a mente no topo da colina;
E a vertigem me toma de uma vez.

Entre todos os bêbados do mundo
Sou o bêbado louco e moribundo
Procurando na taça uma alegria.

Levo quedas, mas busco caminhar,
Pois o álcool que vive a me moldar
No seu rótulo tem escrito: POESIA.

                                         Gilmar Leite

segunda-feira, 18 de maio de 2015

As netas de Zabé da Loca (Foto de Gilmar Leite)


          O Sorriso do Sertão

O riso da criança do sertão,
Tem as cores do mato na invernada,
A cantiga sutil da passarada,
O ribombo da máquina do trovão.

Sobre a tela do rosto uma expressão,
Tão alegre como flor orvalhada,
Solta pingos formando uma enxurrada,
Pra florir um jasmim no coração.

A ternura do sorriso inocente
Faz no rosto brotar uma semente,
Com perfume sutil da fantasia

Cada canto da face uma beleza,
Mostra a vida pulsando a natureza
Desenhando a paisagem da alegria.

                                          Gilmar Leite

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Foto de Gilmar Leite
(casa do cantador Vital Farias)


           Colibri Encantador


Como o azul colibri encantador
Com seu voo delicado e poético;
No meu peito o bater asa estético
Sente da vida o néctar da flor.

Dando voos do sensível promissor
Entre versos suaves da existência
No soneto descubro doce essência
Perfumando meu peito com amor.

Com o bico da estrofe delicada
Eu carrego a doçura orvalhada
Da poesia que pulsa com ternura.

Deixo o beijo na forma mais sensível
Do sentir colibri perceptível
Ofertado com plácida candura.

                                       Gilmar Leite 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Foto de Gilmar Leite 



                   Luz Interior

Não devemos jamais perder a luz
Que ilumina da vida o nosso sonho,
Sempre o tempo aniquila o tristonho
E uma aurora de paz logo reluz.

Mesmo quando sofremos numa cruz
Não devemos perder o ser risonho;
Mas sim, ressuscitar a luz do sonho,
E buscar os exemplos de Jesus.

Quando o escuro se faz muito presente
Nós devemos buscar a luz latente
Que ilumine o caminho renovado.
   
É preciso aceder à lamparina
Dando brilho a forma mais divina
Do momento feliz e tão sonhado.

                                      Gilmar Leite
Foto da Net


                    Mulher

Deusa, musa, encanto e sedução,
A mulher tem a flor do romantismo,
Que navega nos mares do lirismo
À procura de um porto coração.

Da natura, é a pura perfeição,
Uma eterna canção do classicismo;
Sua imagem do belo é realismo
Da presença de Deus na criação.

Os segredos do corpo feminino
Têm fulgores do lago cristalino,
E os encantos das plácidas delícias.

O seu beijo paixão é um doce mel,
Deixa os lábios nas flores do vergel
Como abelhas brincado de carícias.

                                       Gilmar Leite
Foto de Gilmar Leite



           Percepção Sensível

Vejo a aurora no ocaso ensanguentado,
O visível nas dobras do latente,
Lindas flores ocultas na semente,
O segredo da vida não mostrado.

Eu percebo no pranto o riso dado,
A frieza gritando o toque quente,
O negror expressando o reluzente,
O sozinho sorrindo acompanhado.

Eu enxergo o pequeno no maiúsculo,
A grandeza de um livro no opúsculo,
E, o sangue pulsando numa pedra.

Nas antíteses encontro o sol da vida,
Que reluz minha alma enternecida
Clareando o oposto que me medra.

                                          Gilmar Leite

  

quinta-feira, 16 de abril de 2015


Foto de Gilmar Leite


Durante a minha caminhada matinal, a natureza do mar do Bessa (João Pessoa), todo dia oferece várias cenas lindas. E por gratidão, ofereço esse singelo galope e o registro de uma das fotografias registradas hoje.


O mar oferece um presente pra mim
Tocando meus pés quando surge a manhã
Carinhos da brisa dão beijos de lã
E fico olhando o oceano sem fim.
Conchinhas pequenas da cor de marfim
Deitadas na areia enfeitando o lugar
Espumas branquinhas num lindo bailar
Trazidas das ondas que chegam faceiras
São cenas das minhas auroras praieiras
Que sinto e contemplo na beira do mar.


                   Ser Poeta

                              Ao poeta/menino, Job Patriota 

Ser poeta é voltar a ser criança,
Ter o olhar inocente para o mundo,
Criar sonhos, imagens num segundo,
Bater asas no campo da esperança.

É plantar a bondade com bonança
Da pureza infantil do ser profundo;
Abraçar com amor o bem fecundo
Ofertando o carinho com pujança.

É ter da criança a imaginação,
Misturar o real e a ficção,
No delírio sutil da fantasia.

Ser poeta é ter olhos de menino
Vê o grande no mundo pequenino
Onde a vida se veste de magia.


                                   Gilmar Leite

quarta-feira, 15 de abril de 2015


                          Malabarista

Existe em mim um ser louco, transgresso,
Malabarista num palco visível;
Vive dançando a canção do sensível;
E é contramão do ódio e retrocesso.

Embriagado pelo amor confesso,
Quebra a corrente da razão possível;
Cada manhã se mostra imprevisível.
É uma aurora sensível sem recesso!

As suas pernas são feitas de versos.
E transcendente, pulsa universos,
Entre as galáxias da livre emoção.

Vive saltando como um trapezista!
Faço pergunta: quem és tu artista?
Ele diz pra mim: sou seu coração!


                                                Gilmar Leite

quinta-feira, 9 de abril de 2015


                      Foto de Rachel Rabelo
           
                      Pico do Jabre

Junto às nuvens, bem perto do céu, fico
Contemplando a grandeza da montanha;
Uma brisa sutil o meu corpo banha,
E me entrego a um devaneio lírico.

No horizonte um tesouro nobre e rico
Mostra o vale de beleza tamanha;
Na minh’alma uma sensação estranha
Fortalece o meu ser como o angico.

Borboletas, mil pássaros cantantes,
Sobre a serra, dão voos mirabolantes,
Parecendo que estão de brincadeira.

Sobre o topo do pico, vejo Deus,
Projetar na natura os sonhos seus,
Na grandeza sem fim da cordilheira.


                                           Gilmar Leite

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Foto de Gilmar Leite (Granja do Poeta Dirceu Rabelo, Gravatá, Pe.)



     Borboleta de Veludo

A sutil borboleta de veludo
Beija a flor com um toque carinhoso,
Revelando um painel maravilhoso
Onde o brilho das cores mostra tudo.

O seu voo delicado e bem formoso
Mostra as asas parecendo um escudo;
Até Deus silencia e fica mudo,
Contemplando o ballet tão gracioso.

Elegante, trajando roupa preta,
Graciosa, busca a flor violeta,
Pra sentir a essência perfumada.

A sutil borboleta mostra a vida
Afagando de forma enternecida
O segredo da flor sofisticada.


                                  Gilmar Leite