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domingo, 24 de março de 2013

Foto da Poetisa Rachel Rabelo


                              O ocaso

                                        Soneto musicado por Galvão Filho

Decanta o dia, um crepúsculo ensangüentado,
Pinta de ígneo, todo o imenso firmamento,
Dando ilusão que houve um grande ferimento,
Como se o bucho do céu, fosse perfurado.

Entre as montanhas, um poente avermelhado,
Mostra o final da tarde dando um adeus lento;
No arvoredo o concriz mostra um sentimento,
Num canto triste, que ecoa em todo o roçado.

As borboletas e os colibris buscam um canto,
E a verde flora, da noite, sente o seu manto,
Que cobre de vermelho-negro o fim do dia.

Dentro da mata, o inhambu abre a garganta,
Pra anunciar, que se aproxima à hora santa,
Em que o sertão se curva aos pés da ave-maria.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Poetisa Rachel Rabelo



                 
                  Linda Flor

Linda flor do mais plácido jardim
O teu riso se mostra com ternura,
A beleza desenha a arquitetura,
Onde a vida floresce sem ter fim.

O teu rosto fulgura um querubim
Sobre o palco da música mais pura;
Cada gesto revela uma candura
Com levezas do toque do clarim

Entre as flores, é deusa da beleza,
Sempre vejo fluir a natureza
Quando expressa encantos naturais.

A cantiga da voz do coração,
Do teu peito, revela uma expressão,
Igualmente a sonata dos pardais.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Este cavalo foi fotogrado no cariri paraibano, nas imediaçõe da fazenda Serrote Agudo, lugar imortalizado na composição de Zé Marcolino e na voz de Luiz Gonzaga. O que chamou atenção, além da magreza, foi o desespero cambaleante do cavalo para comer alguns talos de capim quase secos.

       Tormento de um Cavalo

Quantas vezes correstes livremente
Nas campinas florida do sertão
Conduzindo o vaqueiro com gibão
Num galope feliz e velozmente.
Os teus cascos trinavam reluzente
Na caatinga, grotão e pradaria,
Pra depois descansar na calmaria,
Sob a sombra dum velho juazeiro
Escutando o cantar doce e maneiro
Do concriz dando adeus ao fim do dia.

Muitas vezes vencestes as distâncias
Dando trotes sutis, bem coordenados,
E pastastes nos campos orvalhados
Vendo as águas pulsando em ressonâncias,
Teus galopes mostravam elegâncias
Conduzindo com porte algum vaqueiro
Perpassando a jurema e o marmeleiro
Sem temer da caatinga algum perigo
Protegendo no lombo o teu amigo
No trabalho mostravas ser parceiro.

Pelos campos tangestes mil boiadas
Sempre atento à fuga do novilho
Escutando o aboio como um trilho
E vencendo as estradas alagadas.
Hoje a seca, com garras afiadas,
Faz teu corpo sofre desnutrição
O fantasma da fome com agressão
Diminui o viver, rouba a esperança,
Qualquer passo teu corpo logo cansa
Numa cena repleta de aflição.

Sempre em vão a procura do alimento
Muito mal tu consegues caminhar
Pois parece que o corpo vai tombar
Num viver tão repleto de tormento.
O teu corpo revela o sofrimento
Nas agruras da fome causticante
A passada te faz cambaleante
Demonstrando decrépita magreza
Pois a morte parece ser certeza
Sobre um corpo que já foi elegante.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


 
           Belezas do Mar
 
 
Andei sobre a praia de areia branquinha
Sentindo os afagos da brisa maneira
Coqueiros gigantes iguais a palmeira
Mandavam adeus para água marinha
Uma aura chegava de leve e mansinha
Tocando o meu corpo num doce bailar
Gaivotas pequenas no espaço a voar
Faziam desenhos no céu azulado
Senti no meu peito um delírio encantado
Beijando meu corpo na beira do mar.
 
Olhei para as ondas tocando os rochedos
O som parecia o gritar duma fera
Fiquei me lembrando da negra pantera
Na mata rosnar provocando mil medos.
O mar revelava sublimes segredos
Num grande painel de beleza sem par
O mundo marinho me fez comprovar
O grande poder do senhor natureza
Que mostra pra gente profunda beleza
Num lindo desenho na beira do mar.
 
Parei para olhar os peixinhos brincando
Nas águas cristais da serena piscina
Seus saltos ligeiros de forma grã-fina
Deixavam meus olhos nas águas nadando
Crustáceos dançavam na terra pulando
Depois no buraco buscavam um lugar
Subi num barranco pra ali contemplar
Meninos fazendo castelos de areia
Com calma esperando fidalga sereia
Cantando galope na beira do mar.
 
Sentei-me num banco de areia macia
No canto onde as águas beijavam meus pés
No mar navegavam pequenos corcéis
Cruzando as ondas com linda magia
O sol bem vermelho da tarde fugia
Tocando as espumas no belo pintar
Um velho no barco vivia a pescar
Jogando o anzol nas águas vermelhas
O sol atirava pequenas centelhas
Deixando reflexos na beira do mar.                      

sexta-feira, 26 de outubro de 2012



                Impossibilidade
 
 
Nunca espere florir quando é outono,
Nem carinhos das garras do chacal;
Não conceba que pode ser o dono
Dominando alguém sob um curral.
 
Nunca pense que o inverno glacial
Nos aquece causando um leve sono;
Nem mudar os sabores do oceano,
Pondo o doce, tirando o amargo sal.
 
Não se pode impedir a luz do sol,
Nem mudanças nas cores do arrebol.
Imagine o pulsar de um coração!
 
Vigiar, ser juiz do sentimento,
É tentar impedir soprar o vento,
Ou prender o oceano sobre a mão.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


                   Sol da Vida

Quando a vida faz curvas de incerteza
Como a luz do crepúsculo no poente,
É preciso buscar dentro da gente
Uma aurora no sol da fortaleza.

Muitas vezes perdemos a certeza
Nos abismos da dor inconseqüente,
Tendo o mundo caindo de repente
Machucando o sensível com dureza.

Não devemos deixar que nosso sonho
Escureça no ocaso tão tristonho
Impedindo andarmos para frente.

É preciso lembrar que somos forte
Vendo a luz do viver como um norte
Pra vencer a incerteza no presente.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012



                   Cantigas do Coração


Como os plácidos sons da fonte cristalina
No silencio da branda mata adormecida,
No meu peito a cantiga dúlcida da vida
Mostra a música da maneira mais divina.

Como os tons dos cantos na hora matutina
Dos concrizes nos galhos duma margarida,
A minh’alma desperta sempre enternecida
Ofertando o cantar de forma bem grã-fina.

Os acordes do mar mostrando mil procelas,
As sinfônicas músicas, sempre tão belas,
Vibram sempre nos mares na minha emoção.

A canção dos cristais mostrando sutileza...
A ternura dos pingos sobre a correnteza,
Eu comparo a cantiga do meu coração.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Foto de Rachel Rabelo



          Perfume das Flores

Sobre a seda das flores delicadas
Resplandecem perfumes mais sutis,
Onde pousam pequenos colibris
Procurando poucinhas orvalhadas.
Borboletas com as asas prateadas
Dão mil beijos na flor com esperança;
O concriz sobre o galho se balança
Envolvido com plácidos olores;
O perfume do cálice das flores
Tem essência do riso da criança.

As abelhas em bandos peregrinos,
Seduzidas, procuram a flor mais fina,
Sobre a pétala a gotinha cristalina
Tem pureza do riso dos meninos.
Entre as folhas os córregos divinos,
Cintilantes, se mexem numa dança,
O xexéu ergue o peito com pujança
Seduzido com o cheiro dos verdores,
O perfume do cálice das flores
Tem essência do riso da criança.

Lindas flores evola o seu perfume
Expressando o orvalho cintilante,
Sobre o corpo da pétala elegante
Sempre pousa um pequeno vaga-lume.
As estrelas no céu como um cardume
De peixinhos, revela linda dança,
Cada cena demonstra uma aliança
Da natura vertendo os esplendores,
O perfume do cálice das flores
Tem essência do riso da criança.

Basta andar nas veredas do jardim
Pra sentir o perfume que há na flor,
Penetrando no peito com fulgor
Envolvendo o sensível no festim.
Cada cena parece não ter fim
Da natura movente que não cansa
A beleza da flor é como a trança
Do reflexo do sol com mil fulgores,
O perfume do cálice das flores
Tem essência do riso da criança.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


                            Cantiga

A cantiga que no meu peito aterra
Tem o cheiro do campo, cor das flores,
Os acordes dos mestres cantadores
As sementes que germinam da terra.

Desde o vale, campina até a serra,
O meu tom se mistura com os verdores,
Onde o canto revela os esplendores
Abafando a tristeza que se encerra.

No roçado vibrante da cantiga
Sempre planto a semente mais amiga
Pra florir meu roçado coração.

Entre as cordas vibrantes da viola
O perfume da minha alma se evola
Revelando a cantiga do sertão.