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sexta-feira, 4 de março de 2016



                Menestrel do Sertão
                              
                                     À Elomar Figueira Mello

Cantador, menestrel, voz do sertão!
Os teus cantos têm bodes e ovelhas;
As estórias do povo são centelhas
Nos acordes que vêm do coração.
Os teus versos demonstram a louvação
À grandeza do Deus onipotente;
Cada canto revela a humilde gente
Que labuta na terra ressequida,
Na procura de ter o pão da vida
Revelado na força da semente.

As cantigas são quadros da memória
Que escutou desde o tempo de criança
Mesmo triste, revelam uma esperança,
Do sertão alcançando a sua glória.
Um cronista que faz do verso história,
Grande bardo da aldeia sertaneja;
Teu eterno cantar é uma peleja
Como herança dos vates do repente;
Cada verso revela a cor da gente,
Duma terra voraz que o sol dardeja.

A caatinga é o tema para o teu canto
Um lugar onde a vida é persistente,
Que convive na seca ou na enchente
Sem revolta, nem mesmo o desencanto.
No lirismo, o sertão é um acalanto,
Que repousa na rede dos afetos
Onde a vida é feliz nos simples tetos
No balanço dos éticos valores,
Que resiste, vencendo os dissabores,
Do modismo, com pérfidos projetos.

Cantador, teu verso tem as cores,
Da caatinga, da terra e do teu povo,
Toda vez que eu escuto me comovo
A minha alma repousa em belas flores.
O teu canto possui leves sabores
Encontrados nas frutas do sertão;
Os acordes que vêm do violão
São gemidos da terra desolada,
Ou cantigas do solo na invernada
Explodindo nos tons de uma canção.

                                          Gilmar Leite

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O poeta Gilmar Leite declamando o Soneto Costureira da Vida

sábado, 27 de fevereiro de 2016



                    Sensatez

Imaginei envelhecer contigo
Sentindo a vida numa placidez;
Mas, despertou no peito a sensatez,
Pois eu estava num grande perigo.

Ao perceber a vida num castigo,
Por entre as garras da vil insensatez;
Meu coração buscou a lucidez
Onde a paz me ofertou um grande abrigo.

Sem o temor da negra solidão,
Foi bem melhor fugir da possessão,
Que faz torturas nas garras do ciúme.

Sem as cobranças e cegos julgamentos,
O meu viver, liberto como os ventos,
Mostra a vida, exalando um perfume.

                                             Gilmar Leite

domingo, 21 de fevereiro de 2016

O poeta Gilmar Leite declamando o poema Pajeú Imortal

sábado, 20 de fevereiro de 2016

O poeta Gilmar Leite declamano o poema Campina dos Desejos

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016



                       Perseverante

Plantei sonhos, colhi conquistas,
Venci medos, busquei qualquer mudança;
Sempre crente na luz da perseverança
Como faz os audazes alpinistas.

Posso até ter errado em falsas pistas
Pelo excesso inocente da esperança;
Mas busquei acertar a minha andança
Com coragem de mil escafandristas.

As pressões que caíram sobre mim
Aumentaram um desejo sem ter fim,
De salvar minha alma fulgurante.

Entre sonhos, conquistas e quimeras,
Eu venci as hipócritas panteras,
Com a luz da verdade triunfante.

                                          Gilmar Leite

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016



           Hospício da Poesia

Não é fácil viver a todo instante
Tendo o peito sangrando de poesia;
O sentir como sangue borbulhante,
Onde a artéria do verso me extasia.

Sinto a dor do sensível na sangria
Derramando a palavra mais pulsante,
E me perco, na louca fantasia...
Sem saber da existência, sou errante.

Pouco sei o que ocorre no meu peito,
Perco o jeito, não fico satisfeito,
Fico a esmo, no verso embriagado.

As loucuras banais são os meus versos,
Num hospício dos poemas submersos,
Onde vivo como um louco internado.

                                               Gilmar Leite