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sábado, 14 de maio de 2016



                           Oito anos

Oito anos, duas bêbadas, aguentei!
Nos botecos, nos bares, nas festanças,
A bebida jamais encheu as panças
Até hoje não sei, como eu suportei.

Sempre tomar mais uma era a lei;
A bebida dando rumo às andanças;
Eu dizia muitas vezes: tu não cansas?
Respondia: “agora foi que eu comecei”.

Quanto mais o etílico subia
Mais pressão sobre mim sempre caía
De cobrança, ciúme e possessão.

De repente, dei um salto trapezista,
Minhas asas poéticas e artista
Conseguiram fugir da vil pressão.

                                        Gilmar Leite

domingo, 8 de maio de 2016

Com meu irmão Roberto Leite e minha saudosa mãe Rita Leite


                  Eterna Saudade

Minha mãe, eu queria ofertar flores,
Perfumar o jardim da tua existência,
Mas teu corpo de mim se faz ausência;
No meu peito a saudade causa dores.

Tu que me deste os mais finos olores
Ofertando do peito a tua essência,
Hoje eu tenho profunda consciência
Que minh’alma possui teus esplendores.

Eu só tenho meus versos no presente
Pra falar o que meu coração sente
E dizer meu amor na inspiração.

Cada verso, palavra que transborda.
Mostra a lágrima que no peito borda
Costurando de dor meu coração.

                                          Gilmar Leite

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Arte de Perazzo Castilho

Acredito que poetisa, ex-prostituta e alcoólatra, Severina Branca, não deve ficar mais refém do seu passado sombrio, pelo motivo de ela ter, hoje, outra vida. Então, numa visita recente que fiz à poetisa, surgiu a ideia de fazer um poema sobre a cita poetisa. Hoje, ela mora num distrito de São José do Egito, com o nome de Mundo Novo. 

           Mundo Novo

Sepultei amarguras do passado
Dos contatos fortuitos e banais,
Hoje o corpo encontrou a sua paz
Ao livrar-se das sombras do pecado.
O meu peito hoje está aliviado
Mesmo tendo o punhal da solidão
Mas não vivo na pérfida emoção
Encontrei uma luz na consciência
Apontando o caminho da existência
Dando alívio ao meu frágil coração.

Mesmo tendo meu corpo envelhecido
Já não sinto amarguras dos temores
Enterrei no meu peito os dissabores
Esse mundo pra mim foi esquecido.
O sofrer não roubou o enternecido
Da gentil convivência com os amigos
Eu sofri sob as sombras dos perigos
Mesmo assim, ofereço meu abraço,
Cada afeto do peito forma um laço
Que procura fazer muitos abrigos.

Não carrego na vida a rigidez
Dos momentos dos falsos devaneios
Quando os homens beijavam os meus seios
Nos momentos da minha languidez.
Mesmo assim não permito a sordidez
Construir no meu peito um’alma dura
Eu livrei-me da louca desventura
Sem deixar meu viver ser corrompido
O silêncio da noite foi esquecido
Já não sofro na sombra da amargura.

Vou vivendo sozinha no meu lar
Cada amigo recebo com frequência,
Eu abraço com minha reverência
A minha alma foi feita pra abrigar
O meu verso é cantiga de ninar
Não caminha na estrada do rancor
No sutil coração repousa o amor
Sem trazer amarguras do passado
O meu ser hoje está bem renovado
Sou feliz enfrentando qualquer dor.

                                         Gilmar Leite


                Linhas do Coração

Não me sinto completo por mim mesmo,
Sendo humano, preciso das pessoas;
Sem os outros, nós vivemos muito à toa,
Dando passos, andando sempre a esmo.

Minha parte é pequena nesse mundo
Mas o pouco ofereço em quantidade;
O que vale é sentir cumplicidade,
Abraçando a verdade e o bem fecundo.

Eu procuro os afetos e os abraços,
Dando passos, vencendo alguns cansaços,
Expandindo o sorriso em comunhão.

Mesmo quando eu oferto uma fagulha
É meu ser costurando, sendo agulha,
Com as linhas que estão no coração.

                                             Gilmar Leite