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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Foto de Gilmar Leite
(casa do cantador Vital Farias)


           Colibri Encantador


Como o azul colibri encantador
Com seu voo delicado e poético;
No meu peito o bater asa estético
Sente da vida o néctar da flor.

Dando voos do sensível promissor
Entre versos suaves da existência
No soneto descubro doce essência
Perfumando meu peito com amor.

Com o bico da estrofe delicada
Eu carrego a doçura orvalhada
Da poesia que pulsa com ternura.

Deixo o beijo na forma mais sensível
Do sentir colibri perceptível
Ofertado com plácida candura.

                                       Gilmar Leite 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Foto de Gilmar Leite 



                   Luz Interior

Não devemos jamais perder a luz
Que ilumina da vida o nosso sonho,
Sempre o tempo aniquila o tristonho
E uma aurora de paz logo reluz.

Mesmo quando sofremos numa cruz
Não devemos perder o ser risonho;
Mas sim, ressuscitar a luz do sonho,
E buscar os exemplos de Jesus.

Quando o escuro se faz muito presente
Nós devemos buscar a luz latente
Que ilumine o caminho renovado.
   
É preciso aceder à lamparina
Dando brilho a forma mais divina
Do momento feliz e tão sonhado.

                                      Gilmar Leite
Foto da Net


                    Mulher

Deusa, musa, encanto e sedução,
A mulher tem a flor do romantismo,
Que navega nos mares do lirismo
À procura de um porto coração.

Da natura, é a pura perfeição,
Uma eterna canção do classicismo;
Sua imagem do belo é realismo
Da presença de Deus na criação.

Os segredos do corpo feminino
Têm fulgores do lago cristalino,
E os encantos das plácidas delícias.

O seu beijo paixão é um doce mel,
Deixa os lábios nas flores do vergel
Como abelhas brincado de carícias.

                                       Gilmar Leite
Foto de Gilmar Leite



           Percepção Sensível

Vejo a aurora no ocaso ensanguentado,
O visível nas dobras do latente,
Lindas flores ocultas na semente,
O segredo da vida não mostrado.

Eu percebo no pranto o riso dado,
A frieza gritando o toque quente,
O negror expressando o reluzente,
O sozinho sorrindo acompanhado.

Eu enxergo o pequeno no maiúsculo,
A grandeza de um livro no opúsculo,
E, o sangue pulsando numa pedra.

Nas antíteses encontro o sol da vida,
Que reluz minha alma enternecida
Clareando o oposto que me medra.

                                          Gilmar Leite

  

quinta-feira, 16 de abril de 2015


Foto de Gilmar Leite


Durante a minha caminhada matinal, a natureza do mar do Bessa (João Pessoa), todo dia oferece várias cenas lindas. E por gratidão, ofereço esse singelo galope e o registro de uma das fotografias registradas hoje.


O mar oferece um presente pra mim
Tocando meus pés quando surge a manhã
Carinhos da brisa dão beijos de lã
E fico olhando o oceano sem fim.
Conchinhas pequenas da cor de marfim
Deitadas na areia enfeitando o lugar
Espumas branquinhas num lindo bailar
Trazidas das ondas que chegam faceiras
São cenas das minhas auroras praieiras
Que sinto e contemplo na beira do mar.


                   Ser Poeta

                              Ao poeta/menino, Job Patriota 

Ser poeta é voltar a ser criança,
Ter o olhar inocente para o mundo,
Criar sonhos, imagens num segundo,
Bater asas no campo da esperança.

É plantar a bondade com bonança
Da pureza infantil do ser profundo;
Abraçar com amor o bem fecundo
Ofertando o carinho com pujança.

É ter da criança a imaginação,
Misturar o real e a ficção,
No delírio sutil da fantasia.

Ser poeta é ter olhos de menino
Vê o grande no mundo pequenino
Onde a vida se veste de magia.


                                   Gilmar Leite

quarta-feira, 15 de abril de 2015


                          Malabarista

Existe em mim um ser louco, transgresso,
Malabarista num palco visível;
Vive dançando a canção do sensível;
E é contramão do ódio e retrocesso.

Embriagado pelo amor confesso,
Quebra a corrente da razão possível;
Cada manhã se mostra imprevisível.
É uma aurora sensível sem recesso!

As suas pernas são feitas de versos.
E transcendente, pulsa universos,
Entre as galáxias da livre emoção.

Vive saltando como um trapezista!
Faço pergunta: quem és tu artista?
Ele diz pra mim: sou seu coração!


                                                Gilmar Leite

quinta-feira, 9 de abril de 2015


                      Foto de Rachel Rabelo
           
                      Pico do Jabre

Junto às nuvens, bem perto do céu, fico
Contemplando a grandeza da montanha;
Uma brisa sutil o meu corpo banha,
E me entrego a um devaneio lírico.

No horizonte um tesouro nobre e rico
Mostra o vale de beleza tamanha;
Na minh’alma uma sensação estranha
Fortalece o meu ser como o angico.

Borboletas, mil pássaros cantantes,
Sobre a serra, dão voos mirabolantes,
Parecendo que estão de brincadeira.

Sobre o topo do pico, vejo Deus,
Projetar na natura os sonhos seus,
Na grandeza sem fim da cordilheira.


                                           Gilmar Leite

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Foto de Gilmar Leite (Granja do Poeta Dirceu Rabelo, Gravatá, Pe.)



     Borboleta de Veludo

A sutil borboleta de veludo
Beija a flor com um toque carinhoso,
Revelando um painel maravilhoso
Onde o brilho das cores mostra tudo.

O seu voo delicado e bem formoso
Mostra as asas parecendo um escudo;
Até Deus silencia e fica mudo,
Contemplando o ballet tão gracioso.

Elegante, trajando roupa preta,
Graciosa, busca a flor violeta,
Pra sentir a essência perfumada.

A sutil borboleta mostra a vida
Afagando de forma enternecida
O segredo da flor sofisticada.


                                  Gilmar Leite

quinta-feira, 12 de março de 2015



A partida de um patrimônio da arte imaterial do sertão

Hoje, o sol da reserva imaterial da poética sertaneja está nublado, pela despedida de um guardador da arte literária. O mestre Teófanes Leandro, foi morar   junto das estrelas do Olimpo da Poesia. Durante sua existência, foi um chiqueirador da sensibilidade; um tangedor da experiência estética; um guardador de um tesouro feito de palavras delicadas e enternecedoras, enfim, um sertanejo autêntico! Um grande protetor da mais representativa arte do Cariri paraibano e do Pajeú pernambucano.
Homem de oratória eloquente e de um saber acumulado pelas leituras e pela experiência de vida, Teófanes gostava de receber os amantes da poesia em sua humildade casa, numa propriedade rural, no sítio Melancia, nas ribeiras do Rio Feiticeiro da Poesia. Sempre atualizado e cortês, o sertanejo de expressões fortes, adorava apresentar um imenso repertório de poesias dos grandes vates do passado.
O terreiro ou a sala da sua casa era o grande palco, onde Teófanes se transformava em poesia. Quando recebia visitas, começava a falar de algum poeta, e em pouco tempo, uma enxurrada de versos eram declamados com muita emoção e expressividade. Homem rústico, acostumado com a labuta do sertão, enfrentava os espinhos afiados das juremas, mandacarus, coroa-de-frade, xiquexique, longas estiagens, sol inclemente, entre outros desafios. O declamador e contador de histórias, era uma pessoa delicada, amiga, educada e sempre aberta a quem chegasse a sua humilde residência.
Com Teófanes foram embora um imenso repertório de poesias e histórias dos poetas cantadores que habitaram o grande Estado do Sertão. Fica na memória dos que visitavam sua casa os momentos inesquecíveis de êxtase poético e a oralidade de um homem que viveu e soube registrar o seu tempo. Sabedor das letras e dos acontecimentos do mundo, o contador de histórias e guardião da alma sertaneja, era um questionador inquieto dos assuntos religiosos, políticos, sociais, econômicos e das coisas da vida; sempre surpreendendo os visitantes com algumas perguntas instigantes e desafiadoras. Era uma pessoa apaixonada pelo saber.
Quebrando os grilhões dos urbanoides (designação de Elomar aos urbanos) Teófanes mostrou que o sertanejo é um homem portador de grande sabedoria e conhecimento das coisas do mundo. Tive o prazer de inserir na minha tese de doutorado (O sertão educa), as palavras sensíveis de Teófanes sobre sua relação com a natureza do sertão. Este sertanejo de alma maneira (a lá Elomar de novo), deixou o legado de uma grande reserva antropológica, revelada por meio da arte poética, expressão máxima na estética da Terra da Poesia.


                                                                                         Gilmar Leite

segunda-feira, 9 de março de 2015




                 Sonho de Condores


Como as águas borbulham numa fonte
E depois, movimentam-se em corrente,
O pulsar do viver revela a gente
Escorrendo, na busca do horizonte.
Em seguida, as águas descem o monte,
Dando beijos, brotando lindas flores.
Nossa vida tem sonhos de condores
Sempre em busca de voos altaneiros,
Dando passos errados e certeiros
Procurando encontrar certos amores.

A corrente das águas busca o mar
Pra deitar-se nos braços do oceano
Cada passo traçado pelo humano
Busca o mais alto para conquistar.
Desde a fonte, as águas, sem parar,
Vão brotando a beleza da semente;
O trajeto do humano é diferente,
Pois tropeça nas rochas e espinhos,
Muitas vezes se perde nos caminhos
Esquecendo o sentido de ser gente.

                                              Gilmar Leite



domingo, 15 de fevereiro de 2015



             Jornada da Vida

Quando a vida nos pega de surpresa
Seja com flores, seja com espinhos,
Muitas vezes perdemos os caminhos
Sem saber qual a nossa natureza.
Um crepúsculo se deita na certeza;
Outras vezes, uma aurora radiante;
Sendo assim, damos passos adiante,
Descobrindo verdades escondidas,
E entre escuros e luzes coloridas
Somos sempre um eterno viajante.

Enfrentando os rochedos desalmados
Na procura incansável da vitória
Nós vivemos sonhando com a glória
Que nos leve aos prazeres mais alados.
Muitas vezes sentimo-nos cansados
Tremulando o alicerce da existência;
Mas a força voraz da persistência
Reconquista as latentes energias
De buscarmos com luz as alegrias,
Pra brilhar todo céu da consciência.

Na jornada da vida sempre temos
Desafios surgidos vez enquanto;
Muitas vezes vertemos nosso pranto
Sem sabermos se pra frente iremos.
Nesse mundo voraz em que vivemos
As cobranças sufocam nossa vida;
É preciso firmeza na subida,
Pra alcançarmos o pico da verdade,
Na conquista da nossa identidade
Onde a vida está sempre colorida.

                                          Gilmar Leite


sábado, 14 de fevereiro de 2015

    
      Brilho Descompassado

Um menino poeta e cantador
Que sabia trilhar certo endereço,
O abraço fraterno era o apreço
Ofertado com brilho e com valor.
Sempre tinha no peito a nobre flor
Exalando o perfume da amizade;
O seu riso era só sinceridade
Espalhado na face da atenção,
Onde o brilho pulsante da canção
Fulgurava nos campos da verdade.

Andarilho de muitas cantorias,
Sonhador nas plumas da querência
Defendia com força e persistência,
A nobreza das grandes companhias.
Cada amigo era o sol das alegrias,
Companheiro na estrada do sonhar,
Cada passo buscava conquistar,
Onde 01 + 01 era mais que 02
Para ele não tinha o “pra depois”
O seu pulso vivia pra abraçar.

Como a vida se faz pelo processo
Sucedendo momentos, outros ares,
O viver vai buscar outros lugares
Pois a vida não sonha retrocesso.
Muitas vezes as luzes do sucesso
Escurecem caminhos do passado
Apagando o pisar que já foi dado
E deixando pra trás muita poeira,
Um pião que buscou outra ponteira
E brilhando se faz descompassado.

                                    Gilmar Leite


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Pôr-do-Sol na praia do Jacaré - Cabedelo, PB (Foto de Gilmar Leite)


        A jangada e o sol


Solitária, nas águas deslizando,
A jangada procura o seu recanto,
Trazendo na vela o suave canto
Da gaivota que vive solfejando.

Sob o céu, o crepúsculo pulsando,
Mostra o sol derramando ígneo pranto,
Onde as lágrimas do vermelho manto
Pinta as cores da tarde chorando.

A jangada ligeira vai embora...
O chegar noturno anuncia a hora
Da partida do sol, deixando o dia.

O encontro do sol com a jangada
Deixa à tarde vermelha ensanguentada
Num ambiente de doce nostalgia.

                                              Gilmar Leite

sábado, 6 de dezembro de 2014


                Ação do Verso


Sinto a imagem do verso olhar pra mim,
Adormeço na frase não escrita;
Nesse instante o silencio em mim grita,
Desconheço o começo e qualquer fim.

No meu peito o sensível é um clarim,
Sendo o solo da orquestra que se agita;
O meu corpo se move e se excita
E eu não sei se é bom ou se é ruim.

Abandono o sentido da razão,
Depois sinto o pulsar do coração,
Deixar meu pensamento submerso.

Em delírios me entrego à poesia...
A existência na minha alma se extasia,
Revelando meu ser na ação do verso.

                                                Gilmar Leite 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Minha mãe Rita Leite (à esquerda) e sua amiga Lurdes Perazo


             Rebento Materno

                           À minha mãe Rita Leite

Hoje, três de dezembro, neste dia,
Minha mãe rebentava para o mundo,
Vinte e seis, foi o ano, o bem profundo,
Que brotou minha flor, com alegria.

Grande luz, confidente e companhia,
Um viver que jamais eu me confundo,
Do sorriso exalava um ser tão fundo,
Cada afago era um mar de poesia.

Eu queria cobrir-lhe de presente,
Mas, seu corpo se faz de mim ausente,
Só me resta o perfume da lembrança.

É e por isso que busco a flor do verso
Pra sentir no meu peito o riso imerso
De mamãe me cobrindo de esperança.

                                                Gilmar Leite