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quarta-feira, 9 de março de 2011
Sonho Beija-Flor
Hoje cedo um pequeno beija-flor,
Delicado, pousou sobre meu sonho,
Vinha leve, feliz e bem risonho,
E trazendo uma pétala de amor.
No seu bico a grandeza do valor
Derramava os orvalhos da bondade
A virtude emanava de verdade
Os valores na forma de perfume
Dando luz ao pequeno vaga-lume
Para ser uma eterna claridade.
O sutil passarinho delicado
No meu sonho pousou a esperança
E beijou a minha alma de criança
Me deixando no estado imaculado.
O seu cândido beijo perfumado
Penetrou no céu da consciência;
Eu senti mil sabores da essência
Escorrendo do bico pequenino,
Era a vida mostrando o Ser divino
Clareando o jardim da existência.
Nesse instante fiquei extasiado
Pelo beijo do dócil cuitelinho
Que senti está num plácido ninho
Tendo o afago do corpo emplumado.
O sutil colibri do amor sagrado
No meu sonho beijou com sutileza
E mostrou no seu gesto a natureza
Quando é feita com atos de virtudes
Seu poder vence várias plenitudes
E transcende da vida só grandeza.
No meu sonho o pequeno beija-flor
Se mostrava um gigante de valores
Parecendo os impávidos condores
Que atravessam a linha do Equador.
O dourado emissário, com fulgor,
Do seu bico pingava o sentimento
O respeito era o nobre alimento
Sempre a luz das mais plácidas ações
Atingindo os sensíveis corações
Tendo o amor clareando o ensinamento.
Saudade do Tempo de Menino
Na caverna profunda da memória
Lembro a vida florindo inocência
Não sabia do negror da consciência
Expressado nos dramas da história.
Minha vida só tinha a flor da glória
Era um mundo coberto de bonança,
Onde o sol da bondade numa dança
Me cobria com um brilho cristalino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Galopava num cavalo de pau
Na campina florida do meu sonho;
Um campônio alegre bem risonho
Despertava num instante matinal.
Na floresta o cantar fenomenal
Do concriz, seresteiro que não cansa;
Esse mundo ecoa com pujança
Entre os vales do sonho tão divino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Lembro bem das vazantes alagadas
Os tetéus numa orquestra delirante,
As marrecas voando bem rasante
Desenhando no céu linhas curvadas.
Nas campinas florinhas orvalhadas
Perfumava com lírica aliança;
Era um mundo de linda aventurança
Que hoje guardo no sonho campesino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Eu pulava no poço mais profundo
Sobre as águas marrons do Pajeú
Com meu corpo esguio, quase nu,
Deslizava num rápido segundo.
Para mim não havia outro mundo
Diferente do mundo da criança;
Era um tempo feliz de esperança
Que hoje guardo na forma de um hino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Logo cedo corria pro roçado
Pra cuidar do meu bando de ovelhas,
E ficava feliz vendo as abelhas
Preparando o cortiço encapado.
Para mim, era um mundo encantado,
Que me dava no peito segurança;
Hoje choro por causa da mudança
Que chegou, transformando meu destino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Sobre a tela da mente ainda vejo
O Sertão se mostrando na invernada,
A cantiga sutil da passarada,
O semblante feliz do sertanejo.
Na memória, eu guardo o gracejo
Da rolinha mostrando sua andança;
Esse mundo que não tem semelhança,
Ele vive no meu sonho mais grã-fino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Inda vejo mamãe na flor do riso
Preparando o café toda manhã;
O seu jeito suave feito lã
Revelava do rosto um paraíso.
A bondade foi seu mundo preciso
Que procuro vivê-la como herança;
É a luz que me dar perseverança
Pra enfrentar esse mundo tão ferino;
A saudade do tempo de menino
Fez morada na gruta da lembrança.
Sertão na Invernada
No sertão quando flora a natura
A paisagem se veste de beleza
Lindas flores expressam a ternura
Dos seus corpos sutis de realeza.
Os orvalhos são plácidos cristais
Refletindo momentos matutinos
Afagando com beijos magistrais
Os milhares de grãos bem pequeninos.
Na caatinga escorrem mil riachos
Inundando os recantos da floresta
Cada fruto despenca dos seus cachos
Onde as aves procuram numa festa.
As abelhas trabalham no vergel,
Sobre as flores de sumo delicado
Pra fazer com perícia o doce mel
Na usina do seu reino encantado.
Colibris aparecem nos jardins
Com mil cores nas penas elegantes
Dando vôos das formas bem rasantes
Procurando as essências dos jasmins.
Um concriz sobre o galho da palmeira
Bem vestido de tons preto e amarelo
Abre o peito mostrando um seresteiro
Com seu lírico canto doce e belo.
O sertão fica alegre na paisagem
Cada planta se ergue com bravura
O cenário demonstra uma imagem
Onde a vida se mostra com doçura.
Borboletas em bandos multicores
Faz vôos como leves dançarinas,
Pra no giro pousarem sobre as flores
Enfeitando o cenário das campinas.
O campônio feliz sai pro roçado
Carregando no peito uma esperança
A mulher na cozinha, com cuidado,
Organiza a comida da criança.
O sertão nesse instante se transforma
A natura demonstra uma alegria
Cada vida revela a bela forma
No cenário dum mundo de magia.
sábado, 5 de março de 2011
Os Retirantes de Cândido Portinari
O poema refeito, logo abaixo, é fruto da inspiração vinda das leituras dos romances que tratam da grandes secas, do poema Os flagelados de Rogaciano Leite e da minha experiência de vida, quando ouvia dos meus antepassados os relatos das grandes secas na região do Pajeú.
Retirantes do Pajeú
Poema épico teatral
Explode o sol. Chamas de fogo queimam a terra!
As pedras no Sertão faíscam como brasas.No chão, as rugas sãos as marcas do verão,
E no horizonte, os urubus movem as asas.
Em cada lar deságua um triste mar de choro.
Lamentos, preces, orações, formam um coro,
Das vidas que, padecem sob algumas casas.
Um vulto magro, vestido de farrapos,
Que toma forma na lúgubre residência,
Demonstra um corpo de aparência esquelética
Que assusta quando mostra a triste existência.
Ele ergue a vista para a grande sequidão
Emite um grito numa forte assombração
E fala ao céu, chorando...Pedindo clemência.
Oh meu Deus! Venha, veja as dores do Sertão!
O Pajeú veloz não corre mais no leito
Só as lágrimas em tufos, descem em vertentes,
E cobrem as folhas murchas do meu velho peito.
Oh, meu Deus! Veja, sob as casas só há prantos...
Meus sonhos secaram, não tem mais encantos!
Deus! Oh meu Deus! Por que sofremos desse jeito?
Assim, a pobre mãe, coberta de tristeza,
Envolta em choro, reza, prantos e louvações,
Suplica a Deus, que afaste os sórdidos horrores
Da fome, que demonstra mil assombrações.
O seu clamor se perde dentro do infinito...
E triste, solta do seu peito um forte grito
Que ecoa nas chapadas, vales e grotões.
Já que o governo não percebe os sertanejos!
Já que o céu não escuta os mórbidos clamores!
Só resta partir! Mas, não sabem qual destino.
No peito a flor do sonho se transforma em dores...
O ocaso da incerteza nubla a existência
Cobrindo a frágil luz da pouca consciência
De vidas tristes, que padecem em dissabores.
De corações feridos, deixam as suas casas,
E sem destino, buscam plácidos aposentos;
A sombra que encontram, são grandes abutres,
Fazendo voltas, dando vôos bem agourentos.
Nos troncos despelados das árvores nuas,
Os magros retirantes comem raízes cruas,
E amargam a vida com travosos alimentos.
Os tristes retirantes partem do Sertão,
Sentindo o aperto da saudade perfurante,
Do Pajeú, lugar que foi terra de sonhos,
Mostrado na luz da esperança vibrante!
O vil presente mancha todo o seu passado...
A luz confusa dum futuro tão nublado,
Clareia a sordidez da cena horripilante.
O Pajeú faz curvas no leito vazio...
Os retirantes fracos, feito moribundos,
Por entre galhos como loucos maltrapilhos,
Revelam cenas de fantasmas de outros mundos.
No solo ressequido morre a esperança
E vez enquanto surge a luz de uma criança
Na forma dum sorriso, que foge em segundos.
Na mata ressequida, secos marmeleiros,
Na mesma cena dos fantasmas retirantes
Formam imagens da decrépita existência
Na tela dum filme de vidas humilhantes.
Tombadas plantas com seus galhos estendidos,
Parecem com os retirantes desnutridos
Que assustam, demonstrando cenas degradantes.
Mães lânguidas, crianças fracas, pais chorosos,
São as cenas do Pajeú seco e tristonho
Que sepultou por entre as rochas afiadas
Promessas floridas dum mundo bem risonho.
Nas casas só ficaram lânguidas lembranças...
O vil presente enterra líricas esperanças...
O porvir fecha as portas dúlcidas do sonho.
Não há tempo pro sonho! Só há o presente!
Que mostra as suas garras frias e afiadas,
Tirando os poucos traços de felicidade
Do Ser frágil que sofre por sobre as estradas.
As luzes do viver se mostram espectrais...
Envolto em grito, choro, pranto e loucos ais,
As pobres vidas pisam em trilhas calcinadas.
Oh Leitor! Veja nas imagens destes versos!
Perceba a dor gritando o sórdido sofrimento,
Que nem Dante viu sob os círculos infernais,
As dores mais brutais no mundo do tormento.
Lá, Dante assistiu o sofrer dos pecadores...
Aqui, demonstro os prantos dos agricultores...
Que são homens perdidos, sofrendo ao relento.
Estes homens, outrora, foram cavaleiros!
Os bravos que cruzavam a caatinga voraz,
De esporas, rédeas, laço, perneira e gibão
Pegavam o gado sobre um cavalo fugaz.
Agora, nem dão mais passadas tão seguras.
Caminham cabisbaixos, nas estradas duras,
Pisando sobre as pedras e os cactos brutais.
A magra mãe que se parece um graveto
Conduz a filha presa na fraca cintura,
Sem forças tomba sobre os duros carrascais
E cai por cima da esquálida criatura.
Um grito seco da criança logo ecoa
Levando o gemido pro vale e pra lagoa
Que expressa à vida padecendo na tortura.
O frágil Ser contrai-se e chora bem baixinho...
A mãe lhe oferta o decaído peito mole
No doce sonho que ela encontre o alimento,
Que acalme o pranto, tendo o leite que a console.
A boca seca com furor, tremendo puxa,
E sente que ao puxar a glândula tão murcha,
Nenhum leite do seu magro peito se bole.
Ao Invés do leite surge um pouco de sangue!
O choro brota sobre o rosto tão tristonho...
As cavas do sorriso ficam inundadas,
Que afogam a vida, sufocando o mar do sonho.
Os lábios secos, duros como a terra bruta,
Nos seios busca o leite numa triste luta
Mostrando cenas dum viver pobre e bisonho.
A criancinha chora e grita: Ô Mamãe!
Meu corpo treme como uma livre bandeira!
Eu não consigo andar, sinto os pés fraquejando;
Meus passos não conseguem subir uma ladeira.
O meu corpo sem força, lânguido definha.
Eu não sei o lugar que minha alma caminha...
E a fome, transformou-se numa companheira.
O choro da criança perde-se nas serras
E fica preso sobre os cactos brutais
Seu corpo sem vigor se arrasta nas estradas
Passando nos grotões, por entre os carrascais.
As lâminas do vento cortam como faca
Rasgando a pele, definhada tão fraca,
Que sofre os dantescos castigos infernais.
O sol derrama o forte fogo abrasador
Na vida sem fulgures do povo faminto,
Que se mostra cortada pelo sofrimento
E presa num confuso e grande labirinto.
Sem esperança e sem trajetos nos caminhos,
O povo pobre sofre em sórdidos espinhos
Sentindo a vida travosa como um absinto.
A vida sofre ao longo das secas estradas...
O sol voraz desnuda os poucos marmeleiros...
As rochas mostram lâminas que são cortantes...
E os troncos são fantasmas de pobres guerreiros.
Sem vida, desfalecem lânguidas juremas,
Mostrando imagens dos mais fúnebres cinemas
Que expressam o desengano em trágicos roteiros.
O sonho não habita a vida do flagelo...
A fome expressa cores lúgubres, dolentes...
E a vida tomba sobre os secos carrascais
Gritando sobre os vales, ecos estridentes.
Os homens do poder pra dor ficam de costas!
Os pobres retirantes rogam de mãos postas
Pedindo a Deus que veja as dores tão ardentes.
Oh Deus! Olhai pros campos, veja a sequidão!
Está tudo sem vida... Só resta a tristeza.
O sonho da alegria já foi sepultado
Por entre as pedras da decrépita certeza.
Aqui só tem água nas velhas faces magras,
E as dores são terríveis... Já viraram pragas,
Nas almas tristes, na jornada da incerteza.
Assim, falam por entre os duros carrascais
As vozes fracas dos sofridos retirantes,
Que tem os pés feridos nas juremas mortas
Cortados por galhadas que são perfurantes.
O sol do sonho morre na vida descrente...
Nenhuma aurora de abrigo se faz presente...
Sem rumo, dão seus passos bem cambaleantes.
Perdidos, procuram o velho Pajeú...
Que sem água, só resta à grande sequidão.
O pai vê seu filhinho lânguido de fome
Que treme na frieza da desnutrição.
Um nome, nem sequer botou no fraco filho,
Pois sabe que bem breve o frágil maltrapilho
Vai ter fim nas estradas secas do Sertão.
Tombando sobre as pedras, chora a menininha,
Tão fina como um galho quando a casca seca,
Nas mãos conduz seu lindo sonho de criança
Expressado na forma linda da boneca.
Pro seu brinquedo fala leve e bem baixinho
Dizendo com suave e plácido carinho
Que vão ter alimento depois da soneca.
Leitor! Não fique na ilusão deste momento,
Da vida que, se mostra na pura inocência.
Levante os olhos, veja o sórdido flagelo
Deitando o sol no seco campo da existência.
Leitor! Perceba bem o pranto e a forte dor!
Cada aurora de vida perdendo o esplendor,
Que rouba dos famintos a luz da consciência.
Perceba bem, no solo bruto e ressequido,
Homens aos trapos, que só tem na pele os ossos,
E dentro d’alma a dor que jorra o desengano
Expresso num deserto que não possui poços.
Andando, cabisbaixos, buscam um pouco d’água,
E sofrem sob um rio que só transborda mágoa
Na enchente duma fome que só tem destroços.
Sem pátria, sem nação, sem luzes da esperança,
Os homens sem rumo pisam sobre os tocos
E tombam nos rochedos como condenados
Na imensa procissão, como um bando de loucos.
O quadro da tragédia mostra um cego país,
Que não vê o sofrimento do povo infeliz
E oferta a luz da condição para bem poucos.
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Poeta Dirceu Rabelo
Extraordinário poeta e membro da Academia Pernambucana de Letras.
Um orgulho do Pajeú
Vate Coroado
Ao poeta Dirceu Rabelo
Poeta audaz, de sentimento luz! Sertão
feliz. Teu coração tão nobre e nordestino
reluz a paz da vida. Cada grão meninofulgura um lírio com essências da união. *
Tua doce rima nos envolve! És canção
melódica e sutil. Um ser que por destino
traz na’lma o som poético. Escuto o hino
que vem de dentro dos saberes...Da emoção. **
Herói do verso. Vejo em ti, oh vate Dirceu,
a honra e a coragem. És o nobre Odisseu
Na Grécia sertaneja, dum reino encantado. *
O manto que te cobre é puro! Humildade
traduz cada poema teu. Tem na verdade
a espada que levanta o verbo coroado. **
*Gilmar Leite
** Rachel Rabelo
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
A imagem acima é da capa (feita por Galvão Filho) da minha Dissertação de Mestrado que defendi em fevereiro, desse ano (2010), junto ao Program de Pós-Gradução em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Natal). É uma pesquisa em Filosofia, Literatura e Educação. Atualmente, faço doutorado, onde estou pesquisando o Sertão, tendo os mesmos pilares como base para construção de Tese. Logo abaixo tem o Resumo da Dissertação de Mestrado. Prentendo publicá-la em forma de livro.
RESUMO
Nessa pesquisa, refletimos sobre Corpo e Poesia: para uma Educação dos sentidos. O trabalho tem como objetivo a busca da compreensão do entrelaçamento corpo e poesia, para uma educação dos sentidos, a partir da experiência do Ser no mundo. Nesse propósito, busca-se entender a criação poética como a transubstanciação corpórea por meio dos sentidos que se realiza na expressão criativa e se manifesta na linguagem do corpo, abrindo caminhos para uma educação vivenciada na experiência estética. Para compreendermos o processo da criação poética, recorremos ao método fenomenológico do mundo vivido da filosofia de Merleau-Ponty, sempre abrindo florestas de questionamentos e germinando novas dúvidas para a busca de outras compreensões sobre Poesia, Corpo e Educação. Esses três fenômenos foram investigados por meio de uma reflexão sobre a minha própria trajetória de vida como poeta e professor de Educação Física; identificação e analise de poetas/declamadores; experiências sensíveis vivenciadas nas Oficinas de Poesias, realizadas em sete escolas públicas do Estado do Rio Grande do Norte e no dialogo permanente com as obras de Merleau-Ponty, Severino Antonio, Paul Zumthor, Petrucia Nóbrega, entre outros autores. A fenomenologia e as fontes investigadas nos permitiram concluir que a criação poética não é produto de uma inspiração divina, de um espírito vindo de alhures, nem hereditária, mas cria-se poesia a partir de um dialogo entre o poeta e o mundo orgânico e cultural, revelando, a cada experiência vivida, um novo mundo de sentidos e significados. Foi possível compreendermos a linguagem poética como uma manifestação sinestésica e performática que ontologicamente se revela e se oculta a cada experiência, trazendo novas claridades expressivas do Ser no mundo. A pesquisa nos revelou que a poesia como uma experiência sensível do estado poético possibilita a construção de um conhecimento sensível, alegre e lúdico para uma educação dos sentidos.
sábado, 27 de novembro de 2010
Natureza de Versos
Sinto as flores da mágica natura
Perfumar o meu Ser com sutileza,
Despertando do corpo a natureza
Dos sentidos com plácida doçura.
O meu peito revela a arquitetura
Projetada no campo-coração;
Uma aurora de verso na amplidão
Ilumina o meu sonho sertanejo,
Espargindo fulgores em lampejo
Dum poema florido de emoção.
Sobre a copa do lírico arvoredo
Que floresce no alpendre do meu peito;
Um concriz num cantar livre e perfeito
Solta um canto coberto de segredo.
Um pequeno riacho num lajedo
Duma fonte que vem do sentimento,
Dar um beijo na rocha como alento
Afagando com toques cristalinos,
Como os beijos dos colibris divinos
Sobre as flores, fazendo movimento.
Uma flor desabrocha do meu Ser
Exalando o perfume da existência,
Cada pétala de verso mostra a essência
Dum poema que me faz transcender.
O sutil rouxinol do alvorecer
Entre as telhas abertas dos sentidos
Me desperta com tons em sustenidos,
Quando o sol do poema me ilumina
Penetrando nas brechas da cortina,
Desvendando meus sonhos coloridos.
Cada flor que no peito me extasia
Sobre a forma do verso delicado,
Sinto o corpo mostrar o seu bailado
Como a pluma dançando em sinfonia.
A minha alma com plácida magia
Se revela no bosque do poema,
O sensível revela o seu emblema
Nas palavras mostradas com carinho,
Onde o verso se deita no seu ninho
E produz no meu Ser um belo tema.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
O lindo soneto abaixo, de autoria da poetisa/companheira Rachel Rabelo, foi um presente da alma que recebi no dia do meu aniversário.
Soneto do Viver
(Ao Poeta e Companheiro Gilmar Leite)
Nesta data repleta de alegria,
O meu verso lhe dou com humildade.
É o presente sereno da magiaQue transborda nas linhas da verdade.
Os desejos são: luz, paz, harmonia!
O "Cinquenta" traduz serenidade,
Um percurso sublime que irradia.
Os instantes vividos com saudade.
No jardim colorido do viver,
O perfume que exala do seu ser
Traz a rima perfeita do momento.
Cada pétala aberta da emoção
Faz o mundo tocar seu coração
Com o pólem sutil do sentimento.
Rachel Rabelo – 11/11/2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Amor não é poder
Amor não é poder, nem é disputa,
É junção pra viver um sentimento,
Entre dois corações, num só alento,
Na harmonia da vida que se escuta.
Não se deve mostrá-lo como a luta
Do hercúleo pavor do descontento,
Mas vivê-lo no compartilhamento
Mesmo na rocha da vida mais bruta.
O sentido do amor é o abraço
Onde a vida se mostra num só laço,
Dum herói que se chama coração.
O amor não precisa do poder!
O que faz o seu lindo grão crescer
São as águas serenas da união.
domingo, 10 de outubro de 2010
Galope em parceria: Gilmar Leite e Rachel Rabelo
Deitei-me na praia dos líricos beijos
Sentindo os afagos da mão carinhosa;
A brisa macia da boca formosa
Tocava meu corpo com leves desejos.
Os dedos faziam serenos gracejos...
As ondas marinhas na pele a tocar,
Trazendo segredos num doce bailar
Mostravam delírios dos sonhos amantes
Dançando na bruma dos beijos vibrantes
Trocando carícias na beira do mar.
Deixei os vestígios de belos momentos
Nas alvas areias do corpo encantado
O sol desenhava um delírio dourado
Na praia sublime dos meus sentimentos
No céu dos prazeres sopravam mil ventos
Erguendo meus lábios num meigo dançar
Os peixes sedentos vieram olhar
As cenas amantes de livres amores
O quadro divino de vários fulgores
Mostrando desejos na beira do mar.
Nas nuvens, desenhos, faziam folias,
Imagens dos corpos deitados na praia,
A branca menina da tez de cambraia
Sereia divina mostrava alegrias
Instantes repletos de doces magias
Fazendo um galope do peito saltar
Na rima perfeita se fez declamar
Amores cristais dos sentires profundos
Unindo a grandeza de líricos mundos
Cobrindo de amores a beira do mar.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Ser-Tão Natureza
O perfume da flor sofisticada
Do jardim da floresta do Sertão,
No meu corpo beijou com perfeição
Me tocando de forma delicada.
A minha alma na placidez alada
Buscou lírios no corpo da campina,
Uma aurora abriu a sua cortina
Despertando a manhã dos meus sentidos,
Envolvidos com tons bem coloridos
E banhados com beijos de neblina.
No meu Ser o Sertão mudou de cor
Lindas flores mostraram seu perfume...
Dando vôos sem fazer nenhum queixume,
Eu senti um dourado beija-flor.
Velhas árvores com todo esplendor
Imponentes no palco da amplidão;
Cada ramo que tem meu coração
Deu abraços no tronco da existência,
O riacho da vida com fluência
Escorreu no meu o peito de emoção.
Fui tomado nas cenas da natura
Do Sertão penetrando no meu peito,
Cada tela dum mundo bem perfeito
Aumentava a febril temperatura.
Eu ficava na máxima altura.
Vendo o mundo na linha do horizonte,
A grandeza surgindo atrás do monte
No sorriso do sol incandescente,
Dando beijos no meu corpo corrente
Que cristal se mostrava como a fonte.
Envolvido num abraço natural
Como parte integrante da paisagem,
O meu corpo mostrava uma ramagem
No sentir do meu Ser fenomenal.
O silêncio dum velho bacurau,
A cantiga estridente do “ferreiro”,
Cada instante me deixava maneiro
Flutuando na flor do coração,
Recebendo os orvalhos do Sertão
Dando beijos no meu Ser por inteiro.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
No Sorriso da Criança
Penetrei no sorriso da criança
Vi a flor da verdade se abrindo,
O sutil beija-flor do bem surgindo
Carregando no seu bico a esperança.
No sorriso vi luzes numa trança
Desenhando em seu rosto o sol da aurora,
A pureza na face era uma flora
Verdejando o jardim da inocência,
Onde Deus fez presente a existência
Dando vida a beleza sem demora.
No sorriso da face enternecida
Contemplei os orvalhos da pureza,
Escorrendo na flor da sutileza
Dando beijos, mostrando a luz da vida.
Vaga-lumes de luz bem colorida
Na criança brilhava de verdade,
Fulgurando lampejos da bondade,
Dando vôos com as asas de carinhos
E plantando a ternura nos caminhos
Com os beijos sutis da liberdade.
Uma pétala de amor puro e inocente
Espargia do sorriso cristalino,
Ofertando um frescor doce e divino
Como a vida que brota da semente.
Entre os cantos da face uma vertente
Em cascatas, mostrava um paraíso,
Era Deus, sobre a forma do sorriso,
Desenhado na face da criança,
Onde a vida retrata uma aliança,
De verdade, beleza e amor preciso.
Caminhei sobre as plumas sorridentes
Da criança, mostrando alegria,
Encontrei um frescor de fantasia,
Como as aves cantando bem contentes.
Vi no riso o vigor que há nas sementes
Verdejando a campina do sertão;
No sorriso encontrei uma afeição
Que tocou com ternura meus sentidos
Dando toques sutis e coloridos
Enfeitando de amor meu coração.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
O soneto abaixo foi feito em parceira com a grande poetisa Rachel Rabelo
Como vim para o mundo ser ter nada!
Também não levo nada após a vida;
Trouxe apenas minh’alma enternecida,
Deixo aqui, algum verso em revoada! *
Não me vale a nobreza inventada!
Vim pra terra descalça e bem despida;
Nenhum bem vou levar na minha ida,
Fica a arte na voz, por mim cantada. **
Deixo o amor, a justiça e a bondade!
Levo apenas os lírios da vaidade,
De alguns versos falando da criança. *
Ficarão os meus atos de humildade!
Vão comigo os fulgores da verdade,
Construídos com luzes da aliança. **
Gilmar Leite *
Rachel Rabelo**
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Estive com amigos e amigas fazendo trilhas pelo brejo paraibano, mas precisamente, no município de Serraria. Foi um dia inesquecível pelo aconchego das pessoas amigas e pelo lugar encantador. Localizado na Borborema Paraibana, o local percorrido é de uma beleza fantástica. Passamos por riachos, trilhas apertadas, grutas misteriosas (conta-se que uma delas foi habitada por índios) e escalamos uma serra íngreme, que precisou de muito esforço físico e cuidado. Mas, a chegada ao topo, onde estou na foto, valeu todo sacrificio, porque a sensação foi esplendorosa. Passando por uma experência sensível tão maravilhosa, não poderia a poesia ficar ausente, sem o registro. Logo abaixo está o poema em decassílabo inspirado no passeio ao brejo paraibano. Logo abaixo tem mais fotos.
Abraço da Natura
Abracei com ternura a natureza
Ofertando o meu corpo delicadoVi a vida mostrando o seu reinado
Através da divina singeleza.
Cada flor me beijava com leveza
Exalando em meu corpo sua essência
Era Deus revelando a providência
Sobre a forma serena da natura
Onde cada encantada criatura
Revelava pra mim sua existência.
Um riacho de águas cristalinas
Dava beijo nas plantas dos meus pés
Escutei lindos cantos menestréis
Dumas aves se amando nas campinas.
Doces brisas com leves mãos divinas
Davam toques na flor dos meus sentidos;
Lindos quadros de tons bem coloridos
Revelavam cenários de mil cores,
Espargindo divinos esplendores
Entre os galhos dos bosques escondidos.
Velhas árvores dos tempos seculares
Imponentes mostravam elegância,
A floresta exalava uma fragrância
Espalhando por todos os lugares.
Vi nas grutas presença de alguns lares
Das raposas e de outros animais;
Cogumelos de cores magistrais...
Finos galhos de corpos contorcidos,
Abraçando alguns trocos retorcidos,
Como amantes em noites invernais.
Sobre o topo da serra magistral
Vi os campos na linha do horizonte,
E uma brisa beijava a minha fronte
Com carícias dum toque angelical.
A grandeza do Deus fenomenal
Me alargava o alcance da visão;
Entreguei os sentidos à amplidão
Recebendo os segredos da natura
E sentindo uma essência rara e pura
Afagando o meu doce coração.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Frente ao Mar
Como o Deus do Olímpio imponente
Vejo o mar no trono da grandeza,
Com mil ondas de força e de beleza
Que se mostra gigante a minha frente.
O seu brilho de azul bem transparente
Como lindos cristais de cor turquesa,
Deixa um feixe de luz na natureza
Entre os beijos da brisa reluzente.
Sobre as águas reflete o sol brilhante!
Um peixinho mergulha triunfante
Sobre as ondas, fazendo seu revés.
Lindas rendas de dúlcidas espumas
São tapetes suaves como plumas
Que se estendem na planta dos meus pés.
domingo, 1 de agosto de 2010
Sempre esteve guardado no cofre da minha memória a imagem de Betinho (José Humberto) meu irmão, que tão cedo (30 anos) nos deixou (acidente de carro), abrindo nos corações dos que gostavam dele uma enorme fenda de saudade. Amante do Direito (era Promotor de Justiça em Caicó, RN) e da música, fez do pouco tempo de existência uma jornada de afetos e de boa convivência com as pessoas que o conhecia. Era um boêmio que sempre levava o violão a tiracó-lo, de uma voz grave, suave e bonita. Apaixonado pela música de Roberto Carlos e Zé Ramalho, entre outras, Betinho gostava de fazer serenatas nas noites de lua em São José do Egito para as musas da época. Como meu pai faleceu muito cedo e dexou muito filhos jovens em casa, Betinho foi arrimo de família e tinha nos estudos a grande paixão. O soneto abaixo foi feito num dos momentos de saudade ao ouvir "O Divã" de Roberto Carlos e me lembrar tanto dele.
Saudade Fraterna
Ao saudoso irmão Betinho
Hoje o peito transborda de saudade
De Betinho, nas noites de serestas,Enfeitando o luar com belas festas
Dando acordes sutis, pela cidade.
O instrumento ficou na orfandade
Lamentando o adeus que lhe infesta,
Dum alguém que forma bem modesta,
Fez seus tons eclodirem de verdade.
Quantas vezes os sons do violão
Entoados com plácida canção
Fez nas almas singelos acalantos.
Os acordes que no meu peito invade
São momentos tristonhos de saudade,
De Betinho vertendo belos cantos.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Viajar ao Pajeú das Flores, conhecendo os lugares certos e tendo as companhias poéticas que eu sempre tenho, é compartilhar de uma jornada sensível aos recantos mais sublimes dos sentidos. Passei 12 dias entre o Pajeú Pernambucano e o Cariri Paraibano, embevecendo-me da mais autêntica poesia feita com profundidade e sabedoria. Conviver com poetas como Zé de Cazuza (patrimônio poético nacional) e outros tantos ( fica impossível citar todos), é de uma experiência estética única e sem dimensões para narrá-la aqui. As fotos dos momentos únicos e o poema logo abaixo é um pouco da carga intensa de conviver com pessoas que fazem da alma poética o sentido da vida.
Jornada Sensível
À poetisa Rachel Rabelo
A minha alma tem luzes matinais
Como o sol que aparece no horizonte;
O meu peito poético é uma pontePra levar os meus versos madrigais.
Sempre faço dos sonhos de cristais
Transparências das minhas atitudes,
Procurando alcançar as altitudes
Dos valores humanos mais divinos,
Onde os atos de afetos cristalinos
São os beijos pra grandes plenitudes.
Sempre busco levar meu sentimento
Sobre a forma do verso delicado,
Onde a luz do sensível é meu reinado
Governando com nobre encantamento.
Eu procuro mostrar meu monumento
Sobre a forma da flor da gentileza;
Ofertando do peito a sutileza
Dos orvalhos pingando transparência,
Sobre as pétalas sutis da consciência
Onde a vida se mostra com beleza.
Caminhar nas estradas do sensível
Sempre foi meu trajeto rotineiro;
Todo passo me deixa bem maneiro
Onde às vezes percebo o invisível.
Cada sonho eu procuro ser possível,
Transformá-lo na luz da comunhão,
E plantar no jardim do coração
As sementes do meu verso singelo,
Onde a flores do sentimento belo
Abram pétalas com beijos da união.
Quando deito nas plumas do meu sono
Sempre encontro a leveza querubim,
Pois meus sonhos são flores do jasmim
Quando surgem bem antes do outono.
Cada verso que faço, mostro um plano,
Projetado com gestos de humildade,
Onde a luz da sutil simplicidade,
Solta brilhos no céu da consciência,
Clareando a floresta da existência,
Revelando o meu mundo de verdade.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Um Ser de Flor
À Anaflor Leite...Um sonho possível
Eu sonhei no jardim do paraíso
Onde flora a beleza da existência,
Vi a flor exalando a pura essência
Sobre a forma divina dum sorriso.
Dum pequeno botão lindo e preciso
Eclodia um Ser de singeleza,
Era Deus revelando a natureza
Duma flor perfumada de esperança,
Onde as pétalas sutis do Ser criança
Encantava a minha alma de beleza.
Eu fiquei contemplando o Ser divino
Exalando seu mundo de inocência
Os orvalhos cristais da transparência
Cintilavam no rosto pequenino.
O seu jeito delicado e cristalino
Expressava da vida a flor ternura,
Cada planta se curvava com brandura
Ofertando respeito e reverência,
Onde os galhos sutis da consciência
Tinham Deus na divina criatura.
Até mesmo o uirapuru cantador
Seresteiro que cala os outros cantos
Sobre o galho calou-se com encantos
E ficou contemplando o Ser de flor.
Na floresta formou-se um esplendor
Ao redor da divina criação.
A cascata parou sua canção
E ficou sobre a rocha enternecida,
Vendo a flor ofertando a luz da vida
Através dum divino coração.
Um sutil vaga-lume reluzente
Ofertava os fulgores à criança;
Do meu peito brotava a esperança
Me deixando feliz e mais contente.
Compreendi a grandeza da semente
Quando brota e depois revela a flor.
Vi que a vida se mostra com amor
Entre os ramos floridos da pureza,
Da criança exalando sutileza...
Uma aurora espargindo seu fulgor.
À Anaflor Leite...Um sonho possível
Eu sonhei no jardim do paraíso
Onde flora a beleza da existência,
Vi a flor exalando a pura essência
Sobre a forma divina dum sorriso.
Dum pequeno botão lindo e preciso
Eclodia um Ser de singeleza,
Era Deus revelando a natureza
Duma flor perfumada de esperança,
Onde as pétalas sutis do Ser criança
Encantava a minha alma de beleza.
Eu fiquei contemplando o Ser divino
Exalando seu mundo de inocência
Os orvalhos cristais da transparência
Cintilavam no rosto pequenino.
O seu jeito delicado e cristalino
Expressava da vida a flor ternura,
Cada planta se curvava com brandura
Ofertando respeito e reverência,
Onde os galhos sutis da consciência
Tinham Deus na divina criatura.
Até mesmo o uirapuru cantador
Seresteiro que cala os outros cantos
Sobre o galho calou-se com encantos
E ficou contemplando o Ser de flor.
Na floresta formou-se um esplendor
Ao redor da divina criação.
A cascata parou sua canção
E ficou sobre a rocha enternecida,
Vendo a flor ofertando a luz da vida
Através dum divino coração.
Um sutil vaga-lume reluzente
Ofertava os fulgores à criança;
Do meu peito brotava a esperança
Me deixando feliz e mais contente.
Compreendi a grandeza da semente
Quando brota e depois revela a flor.
Vi que a vida se mostra com amor
Entre os ramos floridos da pureza,
Da criança exalando sutileza...
Uma aurora espargindo seu fulgor.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Após ter escutado os dois primeiros cds e o dvd da entrevista/cantante do "uirapuru" do Amazonas, o grande amigo Antonio Pereira, relembrei quando estive na Amazônia (Roraima) e dormi em plena selva, sendo acordado na madrugada, vendo os primeiros raios do sol entrando pelas brechas das árvores gigantes, formando um lindo leque numa aurora de cores reluzentes, embalada pelos cantos das aves amazonenses. Isso tudo, levou-me também à minha aldeia no Pajeú das Flores; na minha época de menino entre as árvores da caatinga, vendo outra tipo de fauna e de flora, com sua beleza singular e seu madrigal encantador. Esses momentos entraram no meu sensível e acenderam a tocha da inspiração, fazendo eu escrever os dois sonetos abaixo.
Lirismo Bucólico
Nos cristais reluzentes dos orvalhos...
E nas pétalas da flor sofisticada,
Borboletas da cor mais delicada
Trocam beijos, depois pousam nos galhos.
Entre as sombras dos plácidos carvalhos
Um sutil colibri de cor dourada,
Guarda essência pra linda namorada
E as asas sutis como agasalhos.
Uma abelha dourada no vergel
Busca as flores que têm o puro mel
Pra ofertar ao parceiro com ternura.
Nesse mundo encantado de lirismo
Cada ser da natura é o romantismo,
Onde Deus se revela criatura.
Sob as cores fantásticas da aurora
Vejo o sol desenhando seus fulgores
E os dourados pequenos beija-flores
Dando vôos delicados sob a flora.
Minha vida desperta sem demora
Exalando do peito meus primores,
Ofertando nos versos esplendores
Como o brilho do sol por trás da amora.
Encantado com o brilho da manhã
A minha alma é tocada pela lã
Das gotículas da chuva orvalhada.
Num delírio de cores sem ter fim
Sinto um mundo floral dentro de mim
Sob os beijos da aurora revelada.
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