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sábado, 13 de abril de 2013




              Corações Artistas

Os nossos corações são dois artistas
Sentindo a vida, sendo à flor do verso,
Onde o pulsar do canto é o universo
Jogando luz de amor, fazendo pistas*.

As nossas almas, fontes de conquistas,
Borbulham rimas que vêm do submerso;
E afastam toda a dor do mal perverso,
Tocando o doce acorde e sons flautistas**.

Nossos sentires têm tons das cascatas,
E transformamos versos em sonatas
Quando cantamos líricas poesias*.

Os nossos beijos brindam os momentos!
Sonoros são, cantantes sentimentos,
E viram palco, nossas fantasias**.

                                            Gilmar Leite*
                                          Rachel Rabelo**

segunda-feira, 25 de março de 2013



          Fantasma da Seca


Um deserto com terra ressequida
Velhos troncos de galhos ressecados;
Animais padecendo nos roçados
Onde o verde partiu sem despedida.
A tragédia da fome faz a vida
Dissolve-se nas sombras da matéria;
O sertão emurchece a sua artéria
E revela o mais triste dos cinemas;
O fantasma da seca mostra cenas
Sobre a tela tristonha da miséria.
 
Sobre os vales a morte faz morada
Assombrando quem luta contra a fome;
A fagulha da esperança se some
Entre os ramos da planta ressecada.
Uma vaca caminha desolada
Revelando uma imagem muito séria;
O sertão, diferente da Sibéria,
Mostra o sol do verão com duras penas;
O fantasma da seca mostra cenas
Sobre a tela tristonha da miséria.
 
O campônio só vê desolação,
E padece, olhando o pouco gado,
Relutando no mundo descampado
Pelo sol escaldante do verão.
A tristeza se apossa do sertão
Onde a seca se revela bactéria,
Que corrói qualquer tipo de matéria
Devorando esperanças pequenas;
O fantasma da seca mostra cenas
Sobre a tela tristonha da miséria.
 
O sutil colibri, sempre vexado,
Busca em vão encontrar alguma flor;
Só percebe a tristeza e o dissabor
Balançando no galho desfolhado.
O tristonho concriz no seu trinado
Sente a vida na forma deletéria,
Pois a chuva entrou na longa féria
Dando adeus as mais lindas açucenas;
O fantasma da seca mostra cenas
Sobre a tela tristonha da miséria.

domingo, 24 de março de 2013

Foto da Poetisa Rachel Rabelo


                              O ocaso

                                        Soneto musicado por Galvão Filho

Decanta o dia, um crepúsculo ensangüentado,
Pinta de ígneo, todo o imenso firmamento,
Dando ilusão que houve um grande ferimento,
Como se o bucho do céu, fosse perfurado.

Entre as montanhas, um poente avermelhado,
Mostra o final da tarde dando um adeus lento;
No arvoredo o concriz mostra um sentimento,
Num canto triste, que ecoa em todo o roçado.

As borboletas e os colibris buscam um canto,
E a verde flora, da noite, sente o seu manto,
Que cobre de vermelho-negro o fim do dia.

Dentro da mata, o inhambu abre a garganta,
Pra anunciar, que se aproxima à hora santa,
Em que o sertão se curva aos pés da ave-maria.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Poetisa Rachel Rabelo



                 
                  Linda Flor

Linda flor do mais plácido jardim
O teu riso se mostra com ternura,
A beleza desenha a arquitetura,
Onde a vida floresce sem ter fim.

O teu rosto fulgura um querubim
Sobre o palco da música mais pura;
Cada gesto revela uma candura
Com levezas do toque do clarim

Entre as flores, é deusa da beleza,
Sempre vejo fluir a natureza
Quando expressa encantos naturais.

A cantiga da voz do coração,
Do teu peito, revela uma expressão,
Igualmente a sonata dos pardais.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Este cavalo foi fotogrado no cariri paraibano, nas imediaçõe da fazenda Serrote Agudo, lugar imortalizado na composição de Zé Marcolino e na voz de Luiz Gonzaga. O que chamou atenção, além da magreza, foi o desespero cambaleante do cavalo para comer alguns talos de capim quase secos.

       Tormento de um Cavalo

Quantas vezes correstes livremente
Nas campinas florida do sertão
Conduzindo o vaqueiro com gibão
Num galope feliz e velozmente.
Os teus cascos trinavam reluzente
Na caatinga, grotão e pradaria,
Pra depois descansar na calmaria,
Sob a sombra dum velho juazeiro
Escutando o cantar doce e maneiro
Do concriz dando adeus ao fim do dia.

Muitas vezes vencestes as distâncias
Dando trotes sutis, bem coordenados,
E pastastes nos campos orvalhados
Vendo as águas pulsando em ressonâncias,
Teus galopes mostravam elegâncias
Conduzindo com porte algum vaqueiro
Perpassando a jurema e o marmeleiro
Sem temer da caatinga algum perigo
Protegendo no lombo o teu amigo
No trabalho mostravas ser parceiro.

Pelos campos tangestes mil boiadas
Sempre atento à fuga do novilho
Escutando o aboio como um trilho
E vencendo as estradas alagadas.
Hoje a seca, com garras afiadas,
Faz teu corpo sofre desnutrição
O fantasma da fome com agressão
Diminui o viver, rouba a esperança,
Qualquer passo teu corpo logo cansa
Numa cena repleta de aflição.

Sempre em vão a procura do alimento
Muito mal tu consegues caminhar
Pois parece que o corpo vai tombar
Num viver tão repleto de tormento.
O teu corpo revela o sofrimento
Nas agruras da fome causticante
A passada te faz cambaleante
Demonstrando decrépita magreza
Pois a morte parece ser certeza
Sobre um corpo que já foi elegante.