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terça-feira, 25 de maio de 2010


            Sonho Beija-Flor

                            Ao amigo Moal Junior

Hoje cedo um pequeno beija-flor,
Delicado, pousou sobre meu sonho,
Vinha leve, feliz e bem risonho,
E trazendo uma pétala de amor.
No seu bico a grandeza do valor
Derramava os orvalhos da bondade;
A virtude emanava de verdade
Os valores na forma de perfume,
Dando luz ao pequeno vaga-lume
Para ser uma eterna claridade.

O sutil passarinho delicado
No meu sonho pousou a esperança,
E beijou a minha alma de criança
Me deixando no estado imaculado.
O seu cândido beijo perfumado
Penetrou no céu da consciência;
Eu senti mil sabores da essência
Escorrendo do bico pequenino,
Era a vida mostrando o Ser divino
Clareando o jardim da existência.

Nesse instante fiquei extasiado
Pelo beijo do dócil cuitelinho
Que senti está num plácido ninho
Tendo o afago do corpo emplumado.
O sutil colibri do amor sagrado
No meu sonho beijou com sutileza
E mostrou no seu gesto a natureza
Quando é feita com atos de virtudes
Seu poder vence várias plenitudes
E transcende da vida só grandeza.

No meu sonho o pequeno beija-flor
Se mostrava um gigante de valores
Parecendo os impávidos condores
Que atravessam a linha do Equador.
O dourado emissário, com fulgor,
Do seu bico pingava o sentimento.
O respeito era o nobre alimento;
Sempre a luz das mais plácidas ações
Atingindo os sensíveis corações;
Tendo o amor clareando o ensinamento.

domingo, 23 de maio de 2010



          “Pajeú das Flores”

                                           Ao poeta Dedé Monteiro 

Oh! Meu lírico “Pajeú das Flores”,
Teu jardim encantado de poesia
As abelhas do verso e da magia
São os nobres poetas cantadores.
No teu cálice poemas multicores
Mostram verves beijando a sutileza;
Sobre as pétalas sutis da natureza
Onde estão os perfumes delicados
Dos poetas que são seres alados
Dando vôos sobre o campo da beleza.

Sobre a seda das flores perfumadas
Lindos versos exalam seus odores
Que são pingos dos dedos trovadores
Com fragrâncias sutis, sofisticadas,
Os poemas são gotas orvalhadas
Entre os ramos febris do coração
Dum poeta que canta uma canção
Perfumada com tons de singeleza
Despertando na calma natureza
O bucólico mundo de Cancão.*

Borboletas azuis em seus bailados
Entre as cordas dum sábio menestrel
São os versos suaves como mel
Nos acordes dos cantos improvisados.
Colibris pequeninos e dourados
São palavras poéticas reluzentes
De poetas plantando mil sementes
Sobre o campo sensível dos sentidos
Pra deixar lindos sonhos coloridos
Sobre as margens do rio em vertentes.

Lindo mundo do “Pajeú das Flores”
São voláteis os versos encantados
Os teus cantos nos deixa perfumados
Pelos versos floris dos cantadores
Teus poetas revelam mil fulgores
Do jardim delicado da existência
Onde a vida revela com fluência
O perfume sublime da poesia
Despertando os sentidos com magia
E mostrando a beleza em sua essência.

* Cancão: João Batista de Siqueira - Poeta de São José do
   do Egito, Pe. Sua poesia de forma sofisticada pintou a pai-
   sagem sertaneja com todas as cores. Neste blog tem um
   poemas dele. Está no arquivo

quinta-feira, 20 de maio de 2010



                    Pajeú Imortal

Rio lendário dos grandes menestréis
O berçário do reino da poesia
Onde os versos são flores que extasia
Das violas aos folhetos de cordéis.
Os poetas são mestres bem fiéis
Decantando teu reino de beleza
Onde a força da grande natureza
É mostrada nos versos de improviso
Expressando do peito um paraíso
Revestido de grande realeza.

Tuas águas escorrem o sentimento
Dos poetas bucólicos, campestres,
Velhos vates são pássaros silvestres,
Que no verso faz nobre sacramento.
Cantadores fizeram um juramento
De jorrar a beleza no teu leito
Onde a fonte cristal que tem no peito
Nunca seca a corrente da poesia
Transbordando com cantos e magia
As ribeiras do verso mais perfeito.

Sempre vejo nas margens verdejantes
Lindos bandos das aves cantadeiras
Disputando um cantinho nas ribeiras
Pra beberem os poemas fulgurantes.
As juremas com galhos tremulantes
Têm os ecos de antigas cantorias
Beija-flores carregam com magias
Os segredos dos versos delicados;
Os orvalhos dos cantos mais sagrados
Cintilantes escorrem em sinfonias.

Imortal, nobre “Pajeú das Flores”,
Tua história foi feita de poesia
No teu leito transborda a melodia
Das cantigas dos mestres cantadores.
Os poetas são plácidos pintores
Desenhando teu curso na história
Registrando nos cantos a memória
Com os traços sutis do sentimento
Te fazendo gigante monumento
Onde os versos enfeitam tua glória.

domingo, 9 de maio de 2010



Lágrimas de Deus

Os serenos cristais da madrugada
Que nas flores cintilam sutilezas
São imagens com mil delicadezas
Desenhadas no corpo da alvorada.
Cada gota na flor sofisticada
Tem purezas dum anjo querubim;
Lindos pingos brilhando no jardim
Vão pra face de nobres prometeus
Os orvalhos são lágrimas de Deus
Sobre a taça purpúrea do jasmim.

Escorrendo nas folhas verdejantes
Dando beijos nos ramos delicados
Germinando amores mais sagrados
Abraçando as verdades triunfantes.
As gotículas das águas fulgurantes
Que dos céus aparecem sem ter fim
São sutis como o toque dum clarim
Solfejando nos montes Pirineus
Os orvalhos são lágrimas de Deus
Sobre a taça purpúrea do jasmim.

Um ligeiro e dourado beija-flor
Com seu bico sutil e pequenino
Guarda o pingo do liquido cristalino
Pra ofertar com ternura ao seu amor.
Cada pétala desperta um esplendor
Da natura que mostra o seu festim;
Vê-se Deus num sorriso de marfim
Sobre as flores tocando os gineceus
Os orvalhos são lágrimas de Deus
Sobre a taça purpúrea do jasmim.

Borboletas azuis em passarelas
Tomam banhos nos plácidos orvalhos
Lindos pingos cristais caem dos galhos
Revelando paisagens de aquarelas
São instantes das cores mais singelas
Sobre os tons delicados de cetim;
Cada pingo parece um querubim
Escorrendo dos olhos dos ateus;
Os orvalhos são lágrimas de Deus
Sobre a taça purpúrea do jasmim.

Ps: o mote é meu

domingo, 2 de maio de 2010


Mãe

À minha mãe Rita Leite (em memória)

Mãe, eterna flor; lírio da campina!
A essência mais pura dos humanos,
A tua alma é maior que os oceanos
E os teus beijos têm brisa cristalina.

Tu és a forma mais plácida e divina
Exalando o amor, que é soberano;
Nosso Deus fez de ti um lindo plano
Que é teu útero, luz tão pura e fina.

Teus carinhos, cobertos de acalantos,
Faz a vida entoar os belos cantos
Onde o pranto se acaba num sorriso.

Tu és de Deus um poema universal!
Do teu peito o amor transcendental,
Mostra a vida, num lindo paraíso.

sexta-feira, 30 de abril de 2010



Lírio da Inocência

Sobre o cálice da vida perfumada
Onde o néctar revela seus primores
Os pequenos dourados beija-flores
Tomam banho na flor mais orvalhada.
A pureza da cor bem delicada
Abre a pétala mostrando sua essência
A candura do amor mostra excelência
Exalando o perfume da esperança
No jardim encantado da criança
Encontramos o lírio da inocência.

Na criança floresce a flor mais pura
No jardim encantado do seu riso
Demonstrando o fulgor do paraíso
Que se mostra com plácida candura.
O perfume que exala com ternura
Vem da flor delicada da existência
Exalando do céu da consciência
O amor, a bondade, numa trança,
No jardim encantado da criança
Encontramos o lírio da inocência.

É um Ser pequenino, de grandeza;
A semente encantada do mistério;
Quando brota demonstra nobre império
Revelando o fulgor da natureza.
O seu brilho demonstra só nobreza,
Não se afirma com fúria insistência;
Seu amor sempre escorre com fluência
Entre os galhos da vida numa dança;
No jardim encantado da criança
Encontramos o lírio da inocência.

Nós adultos, cobertos de defeitos,
Com punhais apontados para o mundo,
Não vivemos na luz o bem profundo
Pois corremos caminhos imperfeitos.
Rodeados de loucos preconceitos
Somos cegos na luz da existência;
Basta olhar a criança na essência
Exalando a bondade com pujança;
No jardim encantado da criança
Encontramos o lírio da inocência.

Ps: o mote é meu

quinta-feira, 29 de abril de 2010



Cacimba do Riso
                             À Ana Paula Queiroz
A cacimba do teu queixo delicado
Tem as águas serenas da ternura,
Onde brota da fonte doce e pura
O sorriso do teu rosto encantado.

Nela eu vejo um poema encarnado
Se abrindo com plácida candura,
Exalando a essência da brandura
Como o beijo de um colibri dourado.

Cada vez que tu mudas de expressão
Os meus olhos deliram com a visão
Vendo as águas brotando do sorriso.

Nela e vejo a corrente mais divina
Transbordando teu rosto de menina
Onde o belo tem a cor do paraíso.

quarta-feira, 28 de abril de 2010



Oferenda de Afetos
                                       À amiga Petrucia Nóbrega
Ofereço os meus versos delicados
Como afetos da minha alma de poeta,
Pra teu Ser que com brilho arquiteta
Os caminhos por muitos alcançados.

Eu desejo que teus sonhos projetados
Pelo brilho da tua alma inquieta,
Sejam sempre percursos para meta
Onde os passos serão realizados.

Peço a vida que te dê sempre fulgores
Espargindo perfumes de amores
Com sabores que a todos nós invade.

Nessa data que marca o teu rebento
Ofereço o fulgor do sentimento,
Dos meus versos com luzes de humildade.

segunda-feira, 26 de abril de 2010


Leveza de Menina

                                   A doce poetisa Telma Romão

Poetisa... Leveza de menina...
Uma aurora na luz do sentimento,
A poesia na graça do rebento
Se mostrando de forma cristalina.

Generosa, com mágica divina,
Faz da vida um eterno nascimento,
Encantando num plácido momento
Como o sol quando surge na colina.

Tu expressa um jardim de mil ternuras!
Sempre exalam do Ser, essências puras,
E a beleza de luz que aurora traz.

Sempre leve tal qual a brisa mansa,
O teu riso de leve se balança
Entre as plumas do rosto, sempre em paz.

sábado, 24 de abril de 2010



Sentimento Humanista
                                         Ao amigo Walter Pinheiro
Fazer o bem! Ser luz na escuridão!
Levar sempre palavras de amor;
Ofertar o perfume que há na flor
E fazer do caminho o coração.

Procurar construir sempre a união
Com afetos dum doce beija-flor;
Ter carinhos sobre as fendas da dor
Abraçar com as plumas do pavão.

Ofertar as auroras de um sorriso!
Ter no peito manhãs do paraíso,
Se na vida, queremos esperança.

Sendo assim, novo mundo, nova luz,
Em cada canto um riso de Jesus
E na vida o afago da criança.

sexta-feira, 23 de abril de 2010



Pilares do Respeito

O arquiteto que pense construir
Um palácio de gótica beleza
Pro amor ser a nobre realeza
Onde a vida se mostre a florir.
Lembre logo no seu solo erigir,
Um alicerce com plácido valor
Onde a ética seja o construtor
Elevando a parede do seu peito
Os pilares sagrados do respeito
São as bases sublimes para o amor.

Lembre bem de fazer da moradia
Um lugar onde a vida não padece
Respeitar é o bem que sempre cresce
Como o sol quando surge a cada dia.
Um projeto de grande maestria
Onde o vida é o nobre morador
Necessita de zelo e de fulgor,
Onde o quarto do amor seja perfeito
Os pilares sagrados do respeito
São as bases sublimes para o amor.

Cada par de areia que é jogada
Para erguer o palácio dos amantes
Tem que ter o fulgor dos diamantes
No colar da moral iluminada.
Na parede será bem desenhada
O altruísmo com um riso doador;
Cada canto vai ser acolhedor
Onde a vida terá um doce leito,
Os pilares sagrados do respeito
São as bases sublimes para o amor.

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Coerência... Justiça...Verdade

Quando a flor do bem mostra a virtude
Exalando da vida o seu perfume
Sobre a mente fulgura um lindo lume
Com reflexos que mudam a atitude.
A clareza do amor na infinitude
Fertiliza os jardins da liberdade
Onde as águas da paz e da bondade
Soltam pingos de vida com essência
A justiça, a virtude e a consciência
São os lírios nos campos da verdade.

Belas flores mostrando gentilezas
Transformando palavras em atitudes
Seus olores alcançam plenitudes
Perfumando com mil delicadezas.
O seu pólen procura as correntezas
Pra plantar o bem com profundidade
Germinando a futura humanidade
Onde o amor seja o fruto da existência
A justiça, a virtude e a consciência
São os lírios nos campos da verdade.

Sobre o cálice da flor mais perfumada
A justiça mostrará o seu valor
Onde a luz do poder será o amor
Sobre a haste da lei equilibrada.
A virtude será disseminada,
Sobre os campos da fértil probidade
Cada ação buscará fecundidade
Sobre o solo onde exista coerência
A justiça, a virtude e a consciência
São os lírios nos campos da verdade.

quarta-feira, 21 de abril de 2010



Coração Livre


Meu coração jamais será acorrentado
Como um recluso na perpétua prisão,
Sofrendo o tédio da cruel dominação
Sem esperança de um dia ser libertado.

Meu sentimento jamais vai ser algemado
Pela vontade de uma louca obsessão,
Que imagina poder prender meu coração
No calabouço de um viver tão limitado.

Podem fechar-me num confuso labirinto
Que acharei a porta através do que sinto
Porque meu peito me guia com precisão.

Meu coração tem as asas da liberdade
Para voar nos verdes campos da vontade,
Sem temer fortes ventos da desilusão.

sábado, 10 de abril de 2010






A Virtude Plantada Com Carinho

Ao cantador amigo/irmão Antonio Pereira

Adubar o terreno da união
Irrigando as sementes do respeito
Um jardim vai surgir dentro do peito
Florescendo o fulgor do coração.
A semente sutil da comunhão
Vai brotar um roçado de verdade
Cada planta vai ser sinceridade
Afastando o rancor do seu caminho
A virtude plantada com carinho
Faz brotar a semente da bondade.

Cada grão brotará com mais vigor
Florescendo a campina do altruísmo
Acabando o deserto do egoísmo
Na floresta encantada do amor
Cada galho será um doador
Estendendo seus ramos com vontade
Ofertando o florir da liberdade
Como plumas de um delicado ninho
A virtude plantada com carinho
Faz brotar a semente da bondade.

Lindas plantas do solo humanista
Brotarão como sedas delicadas
E serão pro amor grande moradas
Onde a vida brotará da conquista.
A certeza estará na grande lista
Da esperança de luz da humanidade
Cada planta do bem será verdade
Recebendo o afago em burburinho
A virtude plantada com carinho
Faz brotar a semente da bondade.

Jesus Cristo do chão se fará vida
Estendendo seus braços delicados
Onde os sonhos serão ramificados
Pelos galhos da paz enternecida.
A corrente do amor será fluída
Entre as plantas da solidariedade
Onde a luz do respeito logo invade,
Para abrir com amor o seu caminho
A virtude plantada com carinho
Faz brotar a semente da bondade.

terça-feira, 6 de abril de 2010


                     Alma Leve

Como as plácidas plumas do pavão
A minha alma repousa na leveza,
Onde a vida me beija com fineza
Afagando com lã meu coração.

Como os toques suaves da canção
Dos canários com tons de sutileza,
O meu Ser canta com delicadeza
Despertando do peito o coração.

A minha alma na pluma do veludo
Mostra o verso num cálido escudo,
Protegendo meu peito da maldade.

Como o sonho brincante da criança
A minha alma de leve se balança,
Entre os galhos da minha liberdade.

sábado, 3 de abril de 2010



Na Beira do Mar

Dei beijos na brisa do mar cristalino
Toquei no profundo das águas latentes
Senti as sereias com cantos dolentes
Perdidas nas ondas, chorando o destino.
Vi o brilho fulgente do meigo menino
Catando conchinhas num leve buscar
As ondas surgiam num lindo bailar
Deixando as espumas nas alvas areias
Banhando de branco fidalgas sereias
Chorando e cantando na beira do mar.


Na beira do mar vi ostrinhas pequenas
Sutis borboletas com asas de sedas
Beijar o veludo das ondas mais quedas
Trocando caricias nas águas serenas.
O mar demonstrava mil cores amenas
Pintando o horizonte com tons de encantar
O nauta veloz, como um deus do lugar,
Saltava no barco, partia ligeiro,
Sentado no banco do velho veleiro
Olhava os amores na beira do mar.


Crustáceos pequenos saltavam felizes
Em bandos brincavam na beira da praia
Espumas bordadas da cor de cambraia
Mostravam do mar belíssimos matizes
As ondas surgiam em leves deslizes
Tocando nos corpos num doce beijar
Pequenas gaivotas no céu a voar
Num lindo balé enfeitavam o espaço
Pintando de branco, fazendo seu traço,
Deixando mais plácido a beira do mar.

sexta-feira, 26 de março de 2010


Origem Sertaneja

Eu nasci numa tarde de verão,
Num calor escaldante, abrasador,
Minha mãe contorcia-se de dor,
Que subia o pulsar do coração.
A paisagem deserta do Sertão
Revelava um ocaso no momento,
Um crepúsculo vermelho, sangrento,
Parecia que o sol sofria um enfarto,
Minha aurora despertava no quarto,
Pra mostrar toda luz do nascimento.

 
Nasci com cheiro da terra nordestina,
O vigor resistente da braúna,
O cantar afinado da graúna,
A carícia dos ventos, na campina.
Minha escola foi “Dona Severina”,
Sertaneja que tinha a face rude;
Batizaram-me com águas do açude,
O meu pai escolheu o primeiro nome,
Minha mãe nunca fez eu passar fome,
O seu leite foi que me deu saúde.

Eu cresci na caatinga sertaneja,
No chão seco, correndo no cascalho,
Pastorando as ovelhas com chocalho,
Dando passos campestres, na peleja.
Ouvi preces dizendo: “Deus proteja
Pra não ser mais um ano sem inverno”.
O Sertão sem chover é um inferno,
Falta milho e feijão, falece o pasto;
O campônio, ao ver seu roçado gasto,
Sente n’alma um cruel verão interno.

Tomei banhos no Rio Pajeú,
Dei mergulhos nas águas bem barrentas,
Sem temer correntezas violentas
Nem espinhos que há no mandacaru.
Comi pinha, melão, manga e caju;
Na caatinga, fui rápido vaqueiro,
Tangi cabras pra dentro do chiqueiro,
Solfejando, nos lábios, um baião,
Demonstrando um caboclo do Sertão
Que tem cores do povo brasileiro.

Trago, desde a infância, as cantorias,
Ecoando no meu ser com ternura,
Onde mostro a autêntica cultura,
Num lirismo com flores de poesias.
Gonzagão, através das melodias,
Despertou minha nordestinidade,
Revelando a cor da brasilidade,
Num painel cultural que há na arte,
O qual leva, pra toda e qualquer parte,
A grandeza da minha identidade.

domingo, 14 de março de 2010

O poema logo abaixo é dedicado ao amigo Antonio Pereira.
O Cantador/Uirapuru da Amazônia

Meu Canto Uirapuru

O meu canto uirapuru
É suave como a flor
Tem a pétala do amor
O fulgor do riso nu.
Nele mostro o sonho azul
Deixando em silêncio a mata
Com acordes em cascata
Escorrendo dos meus dedos
Mostrando sutis segredos
Num concerto em sonata.


O meu canto igarapé
Com seu brilho cristalino
Tem pureza de menino
A grandeza de um pajé.
Nele mostro a flor mulher
Exalando mil encantos
A floresta com seus cantos
A bravura dos guerreiros
A força dos curandeiros
E os doces acalantos.


O meu canto tem mistério
Do coração da floresta
Cada tom tem uma aresta
Onde o amor é o império.
A beleza eu levo a sério
Na minh’alma enternecida.
Meu cantar tem a partida
Nas águas da esperança
Levando a flor da criança
Na correnteza da vida.

quarta-feira, 3 de março de 2010


Sonho Bucólico

Eu tive um sonho florido
Nas campinas do sertão,
Que tocou meu coração
Deixando-o enternecido.
Vi a flor num estampido
Com o beijo dum colibri,
Fazendo a pétala se abrir
Pra o bico do passarinho,
Levar com terno carinho
Pequenos grãos do porvir.

Eu vi no sonho encantado
As douradas borboletas,
Fazendo mil piruetas
Num balé bem refinado.
Vi um concriz num dobrado
No alto de um umbuzeiro,
No seu cantar seresteiro,
Seduzindo o seu amor,
Fazendo até mesmo a flor,
Dobrar-se ao canto faceiro.


Vi sutis gotas de orvalhos
Descendo dos arvoredos,
Pra caírem nos rochedos
Despedindo-se dos galhos.
Juritis feito agasalhos,
Usavam as plumas do peito,
Pra cobrir com doce jeito
O filho implume desnudo,
Onde a pena era o veludo
Pra o conforto do seu leito.


Vi nas flores perfumadas
As abelhas num vergel,
Procurando o doce mel
Entre as pétalas delicadas.
Sobre as telhas afastadas
Um pequeno rouxinol,
Dizia pra mim que o sol
Vinha escurecer o sonho,
Pra deixar meu ser tristonho
Na súplica dum arrebol.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Convite

Estarei dia 26 desde (fevereiro), às 15:00 hrs, no Setor 5, sala F2, na UFRN, defendendo minha Dissertação de Mestrado intitulada "Corpo e Poesia: para uma educação dos sentidos". No mesmo dia defenderei o meu projeto de Doutorado intitulado "A Experiência Estética na Linguagem Poética". Compareça. Ficarei feliz.
Gilmar Leite
Abraços

terça-feira, 26 de janeiro de 2010





Infância Bucólica

No meu tempo de criança
Eu pastorava as ovelhas
Sentia doce centelhas
Numa aurora de esperança
Era um tempo de bonança
Sobre o rio da fanasia
Onde as águas da magia
Com brilhos de inocência
Fecundava a consciência
Dando beijos de poesia.

Corria nos campos vagos
No meu cavalo-de-pau
Não sabia o que era o mau
Os ventos eram os afagos
Mergulhava em doce lagos
Adorava  as pescarias
Contemplava as calmarias
Numa tarde de arrebol
Vendo falecer o sol
Nas auroras do meus dias.

Subia nas goiabeiras
Buscando frutas maduras
Num tempos de aventuras
Cobertas  de brincadeiras
Para mim as ribanceiras
Era um mundo encantado
Que eu cruzava lado a lado
Pra desvendar os segredos
Andando sobre os lajedos
Ou cruzando o rio a nado.

Era um mundo de pureza
Ao redor dos passarinhos
Sentindo ternos carinhos
Dos beijos da natureza
No peito tinha a certeza
Da vida sem o rancores
Onde sonhos beija-flores
Beijavam com afeição
As pétalas do coração
Sugando puros amores.

sábado, 23 de janeiro de 2010



CAMINHANTE

 Eu caminho nas rochas e nas flores!
Sou um ser de acertos e defeitos;
Tenho em mim alguns velhos preconceitos;
Sou a noite e também os esplendores.

Busco o centro mostrando alguns valores
Que residem nas grutas do meu peito;
Muito sei que não sou um ser perfeito,
E nas noites, procuro os meus fulgores.

Sobre a lâmina da vida eu caminho
Entre as rosas e o mórbidos espinhos,
Vez enquanto caindo para os lados.

Só não paro na estática do nada!
Nas recuo nas estrada bem curvada,
Sigo em frente com meus sonhos alados

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Ser tão Sertão

No meu peito, palpita um ser sertão,
De invernadas ou secas causticantes,
Mostra os campos sutis e fulgurantes
E desertos que causam assombração.
Nele pulsa o crepúsculo dum verão,
Ou os fulgores das horas matinais;
Mostra os vales nos tempos invernais,
E revela os cenários de dois mundos,
Onde vivem os dois seres profundos,
Que têm secas ou grandes temporais.

No meu ser, o sertão vive presente,
Através dos costumes do seu povo,
Que resiste ao banal chamado novo
Parecendo um umbuzeiro imponente.
Nele pulsa as violas do repente
Através do improviso num arpejo;
Igualmente um relâmpago em lampejo
Numa chuva de versos que me acalma,
No profundo oculto da minha alma
Onde vive um campônio sertanejo.

No sertão da minha alma resplandece
A florada de um pé de umbuzeiro;
As sementes sutis do marmeleiro
Que a rolinha se alimenta como prece.
O meu ser tão sertão nunca fenece
Os jardins encantados da esperança;
Nele existe a certeza da bonança
Dum roçado com verdes pés de milho,
Onde o pai tem certeza que seu filho
Não irá mais sofrer desesperança.

Quem caminha na trilha do meu ser
Nela encontra o xaxado e o baião,
Na sanfona e na voz de Gonzagão
Onde o canto é a forma de viver.
Um vaqueiro abóia com prazer
No oculto curral da existência,
De um ser sertanejo por essência
Que carrega no peito a sua terra
Desde o vale, a caatinga e a serra,
Dando passos fieis da consciência.

sábado, 5 de dezembro de 2009


Comentário Sobre o Poeta Job Patriota de Lima
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Tive a felicidade e honra de ter convivido com alguns grandes poetas repentistas que imortalizaram o Velho Rio Pajeú. Nasci no século em que nasceram Cancão, Pinto do Monteiro, Lourival Batista, Rogaciano Leite, Zé Dantas, Luiz Gonzaga, Job Patriota e tantos e tantos mestres da música e da poesia do Brasil de dentro, tão pouco conhecido pelo mundo dos urbanóides, como diz o mestre Elomar Figueira de Melo. Com alguns poetas e compositores, tive a felicidade de conhecer e conviver com eles, como é o caso de Zé Marcolino, Lourival Batista e Job Patriota, Cancão, e outros tantos. Entre todos eles, foi Job Patriota o que mais deixou luz de poesia e rastros de apoio e carinho para os poetas, como eu, surgiram após a geração dos poetas e compositores citados. Job Patriota, para os poucos que não conviveram com ele, e o "Rei do Lirismo" e da inocência, para quem como eu, teve a felicidade de passar noites e mais noites ouvindo-o a luz do luar, envolvido pelos devaneios boêmios, em que o mestre Job declamava ou glosando a luz da lua sertaneja. O poeta menino, foi para minha geração o grande vate que respirou poesia até na hora crespuscular da sua existência.
Fazer poesia, é uma coisa; viver a poesia é outra coisa totalmente diferente. Job Patriota dormia e acordava a luz da poesia. Não sabia e não vivia outra coisa, se não fosse o mundo da poesia. Emotivo, notívago, sentimental, lírico, inquieto, bucólico, nostálgico, fervilhante de poesia, estesiado pela estética do verso, contaminado pela sinergia do viver poético, Job Patriota, respirava poesia todas as horas do dia. Foram várias vezes que ao me encontrar com ele, o poeta já ia logo dizendo: "Poeta, vamos para algum canto, para eu dizer ou declamar alguma poesia. Ela está borbolhando dentro de mim, querendo explodir, e se eu não a libertá-la, enlouqueço". Ouvi Job dizer muitas vezes isso, e quando iamos para um lugar reservado, ele começava declamar, todo excitado, a pele vermelha e os olhos lacrimejando. Foi onde eu vi a poesia viva, muito além da escrita. Aqui deixo alguns versos do seu classissimo.
Saindo do hospital, onde foi internado por causa do álcool etílico Job Patriota disse:
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A dor de mim se aproxima
Eu pra não perder a calma
Passo uma esponja de rima
Nos ferimentos da alma.
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O Poeta Bucólico do Pajeú Cancão certa vez pediu a Job Patriota para falar dos desenganos da velhice, veja que soneto clássico Job fez.
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DESILUSÃO
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Sonhos, quimeras, ilusões, amores;
Tudo tive a minha mocidade,
Mas o tempo na sua tempestade,
Faz dos dias como faz comas flores.
II
Fiz das horas os meus elevadores
Pra subir a montanha da idade,
De cujo cimo fitando a mocidade
Eu pensava viver como os condores.
III
Nessa triste ascensão de amargas horas,
Vi somente crepúsculos ao invéis de auroras
E à velhice cheguei aos solavancos.
IV
Nem mais vestigios das primeiras cenas,
Por herança de tudo herdei, apenas
Brancas coroas de cabelos brancos.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


PRESENÇA DO PERFUME

Quando a mão com sutil delicadeza
Solta pingos de água num jardim
Cada pétala se abre dum jasmim
Num sorriso com dúlcida pureza.
Uma essência se exala com leveza
Dando beijos na mão com seu olor
Perfumando com plácido fulgor
Numa oferta divina do seu lume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Cada dedo oferece os orvalhos
Derramados do céu da sua mão
E a flor faz surgir do coração
O presente divino dos seus galhos.
Colibris fazem vôos com atalhos
Numa pressa coberta de temor
Como lindos parceiros do amor
Beijam flores morrendo de ciúme
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

A presença dos pingos cristalinos
Derramados da mão como presente
Faz a flor se abrir toda contente
Igualmente o sorriso dos meninos.
Do seu corpo surgem olores finos
Com mil beijos dum grande sedutor
Infiltrando-se nos dedos com ardor
Sem ouvir beija-flores com queixume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Eu comparo a grandeza da verdade
Praticada através da ação humana
Quando a mão da virtude soberana
Joga os pingos divinos da bondade.
Sobre o campo da vida o amor invade
Com essências tocando o regador
Perfumando o seu gesto doador,
Onde Deus no seu peito logo assume
"Sempre fica a presença do perfume
Entre os dedos da mão que rega a flor".

Ps: Mote do poeta Xico Borges